Outubro 7, 2020 getLISBON 0Comment

Latoaria Maciel, Saber-Fazer Com 7 Gerações fala-lhe de uma das lojas/oficina mais antigas de Lisboa.

Aqui mantêm-se vivos o ofício artesanal tradicional português, o prestígio e o amor à arte.

Conheça a sua história e como sobreviveu às dificuldades de uma actividade em extinção. 

Se se lembra da Latoaria Maciel, antiga Casa Maciel, vai querer recordar e saber novas. Se não conhece tem de ficar a saber tudo!

Faça uma visita guiada às zonas históricas de Lisboa e conheça locais imperdíveis desta magnífica cidade.

200 Anos de História da Latoaria Maciel

Latoaria Maciel: lanterna em restauro.
Lanterna em restauro

A Latoaria Maciel conta com mais de 200 anos de história. Na sua apresentação é referido o ano de 1810, quando foi registada, mas na verdade o início da sua actividade remonta a 1798.

Um período de reconstrução e desenvolvimento após o terramoto de 1755 quando as profissões de funileiro, caldeireiro e latoeiro eram fundamentais na manufactura de todo o tipo de artefactos utilizados por todas as camadas sociais da população.

Dos mais simples objectos de uso quotidiano como pratos ou panelas a sofisticadas lanternas para carruagens ou palácios, de tudo um pouco se produzia na Latoaria Maciel.

Foi fornecedora da Casa Real e podemos ainda hoje observar as suas lanternas em palácios reais como o Palácio Nacional de Queluz. Desenhos originais foram concebidos para palacetes de famílias nobres como os Palmela ou catedrais de todo o país das quais são exemplos a Sé de Lisboa e a de Évora.

Constitui uma curiosidade o facto de muitas caixas para esmolas das igrejas e os comedouros dos animais do Jardim Zoológico de Lisboa terem sido produzidos e oferecidos pela Latoaria Maciel às respectivas instituições.

Para a cidade de Lisboa são particularmente importantes os primeiros modelos de candeeiros de iluminação pública, em ferro zincado, ali encomendados pelo Intendente-geral da polícia Pina Manique durante o reinado de D. Maria I.

Trata-se de quatro modelos de lanternas característicos da cidade de Lisboa: lanternas Pina Manique, Misericórdia, de Rua e Severa, que foram sendo adaptadas às novas formas de energia e que hoje continuam presentes em lugares tão emblemáticos como as arcadas da Praça do Comércio.

Latoaria, Uma Arte em Risco

Moldes em chapa

Assim foi até meados do séc. XX quando a introdução do plástico originou uma verdadeira revolução industrial e quase provocou o desaparecimento destes ofícios.

Com experiência em outros períodos de crise, a Latoaria Maciel soube enfrentar os novos tempos, focando-se no que mais a distinguia, a manufactura de lanternas, candeeiros e apliques.

Nas últimas décadas do séc. XX foram importantes as parcerias com arquitectos e decoradores que desenhavam novos modelos destes objectos então muito em voga.

Hoje a Latoaria Maciel é detentora de inúmeros moldes em chapa de outros tantos modelos que lhes permite restaurar ou reproduzir com fidelidade objectos de há duzentos anos.

Estas magníficas peças, totalmente manufacturadas, resultam do saber-fazer construído ao longo de séculos. São feitas para durar, com esmero, perfeição e amor pela arte.

A Pressão Que Obrigou à Mudança

Pormenor de uma peça em execução.
Pormenor de uma peça em execução

A Latoaria Maciel durante décadas encantou os transeuntes da Rua da Misericórdia com as suas montras repletas de candeeiros, lanternas, formas de bolos e cortantes de bolachas de formas inusitadas.

Esta magnífica loja histórica foi subitamente vítima da pressão imobiliária. De uma hora para a outra, um negócio baseado numa arte artesanal que já lutava com as inerentes dificuldades de sustentabilidade numa sociedade de consumo cada vez mais feroz, ficou sem tecto.

Corria o ano de 2015 e Margarida Pragana Gamito, a primeira mulher da família a tomar conta de um negócio tradicionalmente masculino, foi confrontada com um dilema: deixar a sua preciosa herança de 7 gerações desaparecer ou lutar pela preservação de um património e de uma arte tradicional que lhe é tão querida.

Perante as dificuldades que então pareciam inultrapassáveis, o coração falou mais alto e lutar pela sobrevivência foi imperativo.

Encontrou o apoio necessário na Câmara Municipal de Lisboa que foi sensível à enorme perda que o desaparecimento da Latoaria Maciel constituiria para a cidade e para a história dos ofícios tradicionais portugueses.

Desde 2017 que a Latoaria Maciel conta com um espaço permanente de oficina no reabilitado Mercado Ofícios do Bairro Alto (MOBA) e uma loja no nº6 da Rua da Boavista.

Os Novos Tempos da Latoaria Maciel

Oficina da Latoaria Maciel no MOBA

Os tempos mudaram. A oficina onde outrora só entravam os da casa, ciosos dos seus modelos exclusivos e dos seus segredos profissionais, está hoje à vista de todos. 

Para além do empreendedor e simpático casal Margarida e Rui Gamito, ali encontra Mestre Rufino. Um artesão que há muito passou dos 80 anos de idade mas que continua diariamente a colaborar com a Latoaria Maciel construindo peças de raiz, fazendo restauros, aconselhando e transmitindo os saberes que com paixão adquiriu ao longo da sua vida.

As bonitas lanternas não são acessíveis a todas as bolsas, na verdade nunca o foram, mas o poder de deslumbramento é acessível a todos.

As suas portas estão hoje, mais do que nunca, abertas generosamente a todos os que queiram conhecer esta que é já, a par com a oficina da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva, uma das últimas latoarias de Lisboa.

A Latoaria Maciel participa na formação dos estudantes da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa assim como da de Arquitectura.

Mas em workshops livres qualquer visitante pode aprender algumas técnicas, utilizando as antigas fieiras, quinadeiras, calandras, esmeriladoras e engenho de furar, máquinas com mais de 100 anos que continuam a laborar, como sempre no coração do Bairro Alto.

Apenas é cobrado o preço do material que vai ser utilizado (cerca de 10 euros), e no final leva para casa uma peça feita por si.

Atreva-se a experimentar, quem sabe não possui um talento que desconhecia! 😉

Curiosidade:

Nos preciosos livros de encomendas que a Latoaria Maciel conserva encontram-se referências a inúmeros clientes que ali fizeram encomendas da maior diversidade de artefactos. Estes cadernos constituem verdadeiros documentos históricos com informações preciosas a estudos sobre usos e costumes, economia, sociologia…
Num livro com registos que medeiam os anos de 1919 e 1924 encontra-se uma curiosa encomenda de 1922 da histórica e sobrevivente Pastelaria Benard.
Num livro com registos que medeiam os anos de 1919 e 1924 encontra-se uma curiosa encomenda de 1922 da histórica e sobrevivente Pastelaria Benard.
Livro de encomendas da Latoaria Maciel 1919-1924

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