Julho 3, 2019 getLISBON 0Comment

Neste post falamos-lhe da origem dos nomes das Chitas de Alcobaça – Colecção Elipas, designações e marca da autoria do Engº Elísio Sopas, e ainda de muitas outras curiosidades imperdíveis!

No nosso artigo As Chitas de Alcobaça, uma Herança Cultural em Risco abordámos a história das chitas portuguesas e revelámos que apesar de denominada Alcobaça, a sua produção teve início no séc. XVIII nas regiões de Lisboa e do Porto.

O presente texto decorre de um outro sobre as chitas de Alcobaça no séc. XX, onde lhe apresentámos o sr. Elísio Sopas, pioneiro na recuperação dos padrões Alcobaça, ao ousar voltar a produzir padrões antigos nos anos 50, e do seu filho, o Engº Elísio Sopas que nos anos 80, com oportunidade, empreendedorismo e paixão, levou mais longe esta herança.

Chamamos a atenção dos nossos leitores que o conteúdo deste post complementa o artigo A Singular História das Chitas de Alcobaça no Séc. XX, pelo que é de todo o interesse a sua leitura.

Vamos, então, saber a origem dos nomes das Chitas de Alcobaça atribuídas pelo Engº Elísio Sopas.

Origem dos Nomes das Chitas de Alcobaça do Engº Elísio Sopas

O Engº Elísio Sopas herdou após o falecimento do seu pai, em 1983, o negócio do estabelecimento de venda de tecidos sediado no Porto.

Começou por recuperar o padrão de chita de Alcobaça que teve muito sucesso nos anos 50, reintroduzida no mercado por Elísio Sopas pai, altura em que a produção de chitas com padrões tipo Alcobaça era praticamente inexistente.

Criou uma colecção exclusiva de chitas de Alcobaça, baptizando-a de Colecção Elipas, nome que, em homenagem ao pai, resultou da junção das primeiras três letras de Elísio e as últimas letras do apelido Sopas.

Para além disso, nomeou cada um dos padrões que foi recuperando. Todos têm uma pequena e curiosa história que passamos a contar…

Padrão ALCOBAÇA: foi o primeiro padrão recuperado pelo seu pai. Mas foi o Engº Elísio Sopas que o denominou de Alcobaça, pois era conhecido vulgarmente pelos seus clientes como “o vosso desenho de Alcobaça”.

Padrão ALCOBAÇA: foi o primeiro padrão recuperado pelo seu pai. Mas foi o Engº Elísio Sopas que o denominou de Alcobaça, pois era conhecido vulgarmente pelos seus clientes como “o vosso desenho de Alcobaça”.

Padrão ALCOBAÇA: foi o primeiro padrão recuperado pelo seu pai. Mas foi o Engº Elísio Sopas que o denominou de Alcobaça, pois era conhecido vulgarmente pelos seus clientes como “o vosso desenho de Alcobaça”.

Padrão D. LEONOR: por um lado este nome resulta de uma questão afectiva, Leonor é o nome da filha mais velha de Elísio Sopas filho. Por outro refere-se à rainha com o mesmo nome devido à ligação desta com Caldas da Rainha, cidade próxima de Alcobaça.

Padrão D. LEONOR: por um lado este nome resulta de uma questão afectiva, Leonor é o nome da filha mais velha de Elísio Sopas filho. Por outro refere-se à rainha com o mesmo nome devido à ligação desta com Caldas da Rainha, cidade próxima de Alcobaça.

Padrão D. LEONOR: por um lado este nome resulta de uma questão afectiva, Leonor é o nome da filha mais velha de Elísio Sopas filho. Por outro refere-se à rainha com o mesmo nome devido à ligação desta com Caldas da Rainha, cidade próxima de Alcobaça.

Padrão CAMPINA: um padrão que agradou particularmente ao Engº Elísio Sopas. Era um desenho com faisões, perús, galinhas e galos, mas eram galináceos com penas na cabeça. Na reprodução do desenho Elísio Sopas filho substituiu a poupa por umas cristas, conferindo-lhes um ar mais português. Segundo o próprio, acredita que o tecido que encontrou era de fabrico holandês, devido ao aspecto dos galináceos.

Padrão CAMPINA: um padrão que agradou particularmente ao Engº Elísio Sopas. Era um desenho com faisões, perús, galinhas e galos, mas eram galináceos com penas na cabeça. Na reprodução do desenho Elísio Sopas filho substituiu a poupa por umas cristas, conferindo-lhes um ar mais português. Segundo o próprio, acredita que o tecido que encontrou era de fabrico holandês, devido ao aspecto dos galináceos.

Padrão CAMPINA: um padrão que agradou particularmente ao Engº Elísio Sopas. Era um desenho com faisões, perús, galinhas e galos, mas eram galináceos com penas na cabeça. Na reprodução do desenho Elísio Sopas filho substituiu a poupa por umas cristas, conferindo-lhes um ar mais português. Segundo o próprio, acredita que o tecido que encontrou era de fabrico holandês, devido ao aspecto dos galináceos.

Padrão PAIÃO: trata-se de um desenho de cestas com peças de fruta ao qual deu o nome de Paião, invocando a ligação afectiva à terra natal do seu pai. Este talvez seja um dos padrões em que permanecem elementos de inspiração do extremo oriente mais evidentes.

Padrão PAIÃO: trata-se de um desenho de cestas com peças de fruta ao qual deu o nome de Paião, invocando a ligação afectiva à terra natal do seu pai. Este talvez seja um dos padrões em que permanecem elementos de inspiração do extremo oriente mais evidentes.

Padrão PAIÃO: trata-se de um desenho de cestas com peças de fruta ao qual deu o nome de Paião, invocando a ligação afectiva à terra natal do seu pai. Este talvez seja um dos padrões em que permanecem elementos de inspiração do extremo oriente mais evidentes.

Padrão LORMOIS: Elísio Sopas encontrou este padrão e teve a ideia de escolher o nome Lormois em homenagem ao engenheiro francês que trouxe as técnicas de estampagem para Portugal.

Padrão LORMOIS: Elísio Sopas encontrou este padrão e teve a ideia de escolher o nome Lormois em homenagem ao engenheiro francês que trouxe as técnicas de estampagem para Portugal.

Padrão LORMOIS: Elísio Sopas encontrou este padrão e teve a ideia de escolher o nome Lormois em homenagem ao engenheiro francês que trouxe as técnicas de estampagem para Portugal.

Padrão SHANGRI-LA: era um desenho que já havia no tempo do sr. Elísio Sopas pai. Tal como descrito no romance de James Hilton, a terra de Shangri-La era onde as coisas não envelhecem, onde não existe tempo. Para o Engº Elísio Sopas, também as chitas de Alcobaça são eternas.

Padrão SHANGRI-LA: era um desenho que já havia no tempo do sr. Elísio Sopas pai. Tal como descrito no romance de James Hilton, a terra de Shangri-La era onde as coisas não envelhecem, onde não existe tempo. Para o Engº Elísio Sopas, também as chitas de Alcobaça são eternas.

Padrão SHANGRI-LA: era um desenho que já havia no tempo do sr. Elísio Sopas pai. Tal como descrito no romance de James Hilton, a terra de Shangri-La era onde as coisas não envelhecem, onde não existe tempo. Para o Engº Elísio Sopas, também as chitas de Alcobaça são eternas.

Padrão COLIBRI: a versão originalmente tinha umas rolas mas Elísio Sopas preferiu introduzir colibris.

Padrão COLIBRI: a versão originalmente tinha umas rolas mas Elísio Sopas preferiu introduzir colibris.

Padrão COLIBRI: a versão originalmente tinha umas rolas mas Elísio Sopas preferiu introduzir colibris.

Padrão COLMEIA: era um padrão que tinha um cortiço mas, com receio de que fosse um termo menos conhecido, optou por chamá-lo Colmeia.

Padrão COLMEIA: era um padrão que tinha um cortiço mas, com receio de que fosse um termo menos conhecido, optou por chamá-lo Colmeia.

Padrão COLMEIA: era um padrão que tinha um cortiço mas, com receio de que fosse um termo menos conhecido, optou por chamá-lo Colmeia.

Chitas de Alcobaça - Colecção Elipas - Padrão VIANA

Padrão VIANA: foi retirado do padrão da saia de uma rapariga, que figurava num quadro, provavelmente flamengo, do qual Elísio Sopas desconhece a autoria. O nome foi escolhido porque o desenho tinha uns corações que lhe lembrava os corações de filigrana de Viana do Castelo.

Padrão VIANA: foi retirado do padrão da saia de uma rapariga, que figurava num quadro, provavelmente flamengo, do qual Elísio Sopas desconhece a autoria. O nome foi escolhido porque o desenho tinha uns corações que lhe lembrava os corações de filigrana de Viana do Castelo.

Padrão VIANA: foi retirado do padrão da saia de uma rapariga, que figurava num quadro, provavelmente flamengo, do qual Elísio Sopas desconhece a autoria. O nome foi escolhido porque o desenho tinha uns corações que lhe lembrava os corações de filigrana de Viana do Castelo.

Padrão Viana: foi retirado do padrão da saia de uma rapariga, que figurava num quadro, provavelmente flamengo, do qual Elísio Sopas desconhece a autoria. O nome foi escolhido porque o desenho tinha uns corações que lhe lembrava os corações de filigrana de Viana do Castelo.
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Curiosidades Imperdíveis…

Cores das Chitas de Alcobaça

Chitas de Alcobaça - padrão SHANGRI-LA. Uma das características das chitas de Alcobaça, que acontece com quase todos os padrões, é a persistência das cores dos desenhos, variando apenas a cor da barra.
Chitas de Alcobaça – Colecção Elipas – Padrão SHANGRI-LA

Uma das características das chitas de Alcobaça, que acontece com quase todos os padrões, é a persistência das cores dos desenhos, variando apenas a cor da barra. Como exemplo, o padrão Alcobaça tem seis versões de cores: amarelo, bege, bordeaux, azul, rosa e verde.

E o padrão D. Leonor, que infelizmente já não se produz, chegou a ter oito versões de cores.

O Curioso Motivo do Desaparecimento dos Pássaros

Chitas de Alcobaça - padrão ALCOBAÇA (sem e com pássaros). Havia uma certa superstição que associava as penas ao surgimento de desgraças, pelo que Elísio Sopas pai resolveu retirá-los. Actualmente podemos reencontrar os pássaros no padrão Alcobaça.
Chitas de Alcobaça – Colecção Elipas – Padrão ALCOBAÇA (sem e com pássaros)

A primeira chita de Alcobaça recuperada pelo sr. Elísio Sopas pai, nos anos 50 do séc. XX, teve um enorme sucesso.

Nessa altura o Armazém dos Linhos tinha muitos clientes em Lisboa, estabelecimentos de venda de tecidos que hoje, na sua maioria, já não existem. De lá chegou então um reparo.

Reparo este que se referia à existência de pássaros no padrão. Havia uma certa superstição que associava as penas ao surgimento de desgraças, pelo que Elísio Sopas pai resolveu retirá-los na produção seguinte.

Como essa crença popular se esbateu, quando se reentroduziu na comercialização novos desenhos, sempre que estes tinham aves, estas foram mantidas. Foi o caso dos padrões Lormois, Campina e Colibri.

Actualmente podemos reencontrar os pássaros no padrão Alcobaça.

Tecido Estampado Pombalino

Padrão POMBALINO, que muitas vezes é considerado erradamente como chita de Alcobaça.
Padrão POMBALINO

Nos anos 50 do séc. XX, o Armazém dos Linhos para além do desenho 1 e 2 de chitas de Alcobaça dispunham de outros tecidos estampados que não tinham a ver com os padrões de chitas. O Pombalino, denominação dada por Elísio Sopas pai, fazia parte dessa colecção.

Acontece que hoje o padrão Pombalino é muitas vezes designado erradamente como chita de Alcobaça.

Colecção Aldeias Portuguesas

Padrão Belmonte

Padrão Belmonte

Padrão Belmonte

Padrão Monsanto

Padrão Monsanto

Padrão Monsanto

Padrão Monsaraz

Padrão Monsaraz

Padrão Monsaraz

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O Engº Elísio teve muito sucesso com a reintrodução das chitas de Alcobaça no mercado, mas a dada altura, houve necessidade de criar outros padrões para estimular novas procuras. Assim surgiu a linha que englobava o Belmonte, Monsanto e Monsaraz, aldeias portuguesas.

Esta linha reproduz desenhos antigos mas não padrões de chitas de Alcobaça. Tal como o Pombalino, são também muitas vezes erradamente designados de chitas de Alcobaça.

Falso Alcobaça

Padrão LAÇO é um falso Alcobaça. O Engº Elísio Sopas achou graça ao desenho e adaptou-o ao estilo de Alcobaça
Padrão LAÇO

É um padrão chamado Laços. Foi um desenho que o Engº Elísio Sopas encontrou no meio de uns esquiços que o seu pai, provavelmente, tinha encomendado a alguém. Achou graça ao desenho e adaptou-o ao estilo de Alcobaça. Mas não o é…

Viana, Excelente Padrão para o Natal

Chitas de Alcobaça - Colecção Elipas - Padrão VIANA. O Engº Elísio Sopas teve a brilhante ideia de mandar confeccionar toalhas de mesa para o Natal, com a versão da barra vermelha do padrão Viana. Perante o excelente resultado só podia ter sido um sucesso.
Chitas de Alcobaça – Colecção Elipas – Padrão VIANA

Todos os anos nas proximidades do Natal, os clientes procuravam novidades com padrões a condizer com a época, no armazém do Engº Elísio Sopas. Mas houve um ano em que as propostas apresentadas pelos fornecedores não lhe satisfaziam de todo. Este facto levou-o a ter a brilhante ideia de mandar confeccionar toalhas de mesa com a versão da barra vermelha do padrão Viana. Perante o excelente resultado só podia ter sido um sucesso.

Foi uma belíssima combinação de criatividade com a versatilidade das chitas de Alcobaça! 


Chegado ao fim deste artigo, só podemos dizer que foi um grande privilégio para getLISBON poder revelar aos seus leitores a origem dos nomes das chitas de Alcobaça do Engº Elísio Sopas, ao qual agradecemos mais uma vez a sua amabilidade e disponibilidade.

Com este registo de mais um dos fragmentos da história das chitas de Alcobaça, esperamos contribuir para a valorização e revitalização deste produto que constitui parte do património e da cultura portuguesas.

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