Outubro 30, 2019 getLISBON 0Comment

O Arquivo Nacional da Torre do Tombo detém um importante e valioso espólio. Aqui se guardam algumas das maiores preciosidades documentais de Portugal e da Humanidade.

Neste arquivo conservam-se documentos produzidos desde o séc. IX até à actualidade. Cabe a esta instituição a sua protecção, conservação, reabilitação, valorização e divulgação. Dado o seu carácter trata-se de um arquivo que não pára de crescer.

Importa por isso contar um pouco da sua história que, a par com o Tribunal de Contas, é uma das mais antigas instituições de Portugal, contando já com cerca de 600 anos de existência.

O que Significa Tombo

Tombo deriva do grego tômos que significa parte, pedaço, porção. Daí a palavra tomo para referir volume. O termo tombo designava os papiros, pergaminhos e mais tarde os papéis onde se faziam os registos importantes do reino.

Os Livros de Tombo, onde eram registados os bens da coroa, acompanhavam as cortes itinerantes, mas com o tempo houve a necessidade de os manter e conservar num local seguro.

Instalou-se então o arquivo dos Livros de Tombo numa torre do Castelo de São Jorge em Lisboa. A primeira evidência documental desta Torre do Tombo data de 1378, do reinado de D. Fernando.

A Torre do Tombo

Muitos anos de história equivalem também a muitas vicissitudes.

Até ao séc. XVIII foram guardados na Torre do Tombo vários tipos de documentos relacionados com o monarca e seus súbditos; a administração do reino e dos territórios conquistados; e ainda tratados ou correspondência resultantes das relações externas com outros reinos.

Constituindo-se como o Arquivo Central do Estado Português tinha como responsável a figura do Guarda-Mor que acumulava as funções de Cronista-Mor do Reino. Ficaram famosos os nomes dos cronistas Fernão Lopes e Damião de Góis.

O devastador terramoto de 1755 fez ruir a Torre do Tombo, contudo os escombros que desabaram sobre os arquivos acabaram por os proteger dos incêndios que se seguiram ao abalo.

Na salvaguarda deste património foi fundamental a acção do então Guarda-Mor do Arquivo, Manuel da Maia.

Ter-se-á perdido uma parte mas o grosso da documentação salvou-se, tendo sido recolhida e albergada numa barraca de madeira construída para o efeito. Em 1757 este espólio foi transferido provisoriamente para o Mosteiro de São Bento da Saúde, lugar da actual Assembleia da República. 

Esta solução foi provisória durante cerca de 233 anos…

Ao longo dos séculos, para além de fenómenos naturais tiveram impacto negativo acções humanas. São os casos dos desvios de documentação durante o período da Dinastia Filipina e mais tarde a transferência da corte para o Brasil, ou os conflitos armados como a Guerra Peninsular e a Guerra Civil Portuguesa.

O Espólio do Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Carta do Achamento do Brasil de Pêro Vaz de Caminha  e Leitura Nova
Carta do Achamento do Brasil de Pêro Vaz de Caminha e Leitura Nova

O espólio do Arquivo Nacional da Torre do Tombo conta com documentos que datam do séc. IX ao séc. XXI, são mais de mil anos de história documental.

Podemos dizer que neste arquivo se guardam as maiores preciosidades documentais não só da história de Portugal mas da Humanidade. Alguns estão classificados nos Registos das Memórias do Mundo da UNESCO.

São os casos da Bula Manifestis Probatum, certidão de nascimento de Portugal; da Carta do Achamento do Brasil de Pêro Vaz de Caminha; da colecção Corpo Cronológico que consta de 83 mil documentos referentes à expansão e à relação de Portugal com o Mundo; ou do Tratado de Tordesilhas que foi apresentado numa candidatura conjunta com Espanha.

Destacam-se ainda magníficos códices iluminados como a Leitura Nova do séc. XVI; mais de 36 mil processos do Tribunal do Santo Ofício; a Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte; o arquivo das polícias políticas, em particular da PVDE/PIDE/DGS, ou o acordo de adesão de Portugal à CEE…

O Novo Edifício do Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Com este património cultural, verdadeiro tesouro de Portugal, era imperativo e inadiável criar condições favoráveis e dignas para a sua conservação, segurança, estudo e divulgação.

Finalmente nos anos 80 do séc. XX foi lançado o concurso que visava a construção de raiz de um edifício destinado ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo na Alameda da Cidade Universitária. 

O projecto vencedor, da autoria do arquitecto Arsénio Cordeiro (1940-2013) em colaboração com o arquitecto António Barreiros Ferreira, conjuga de forma exemplar funcionalidade e simbolismo, aspectos que lhe daremos a conhecer melhor no nosso próximo artigo Torre do Tombo, um Templo Guardado por Gárgulas.

O edifício inaugurado em 1990 deu à Torre do Tombo a forma e a dignidade merecida e Lisboa ganhou uma interessante e significativa peça de arquitectura.

O Arquivo Nacional da Torre do Tombo conta com espaços públicos destinados à divulgação e fruição do seu património. As salas de leitura, de exposições e auditório são de livre acesso a maiores de 18 anos.Aproveite as sempre interessantes exposições temporárias com entrada livre e as visitas guiadas organizadas pelo Arquivo!

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