O Tejo, Objecto de Contemplação e Espanto

Desde tempos imemoriais que o rio Tejo e a cidade de Lisboa mantêm uma relação económica e afectiva. Por um lado, o rio é o principal responsável pela fixação de povos e desenvolvimento da cidade; por outro é a cidade e os seus habitantes que lhe conferem fama e importância, ao considerá-lo como objecto de contemplação e espanto.

O Tejo, Objecto de Contemplação e Espanto

Já reparou que de toda a Lisboa ribeirinha ou dos mais altos miradouros se avista a margem sul?

Curiosamente, é dessa margem que se pode desfrutar das mais belas vistas de Lisboa. É assim, igualmente indispensável descobrirmos a cidade de Almada, local onde um dia se fixaram gentes atraídas pelo ouro e do qual deriva o seu nome, do árabe al-ma’adan, “a mina”.

É baseada na vivência do rio e na especial relação entre este e as suas margens que trazemos o Tejo até si.

Sobre o Tejo

O Tejo é o rio mais extenso da Península Ibérica, nasce em Espanha onde é chamado de Tajo, divide Portugal, e banha Lisboa até se espraiar no Atlântico.

Mas antes de o rio se ligar ao oceano encontramos o seu estuário interno, o Mar da Palha, que constitui uma grande bacia, enseada natural segura entre Lisboa e Alhandra. Bom porto para os barcos, foi local procurado e privilegiado entre os povos antigos, dando origem a diversas povoações nas suas margens. E foi, ainda, uma relevante fonte de recursos alimentares e económicos pela abundância de peixe e pelo comércio de sal desde cerca de 1200 a.C.

O Tejo afirmou-se, também, como eixo de comunicação entre Lisboa e as zonas mais interiores do país – de onde provinha o pão – e o Atlântico, que lhe trouxe o Mundo.

Procuraremos abordar aspectos relacionados com o rio dando a conhecer factores diversos, como:

  • A surpreendente fauna que o habita;
  • As suas pontes que proporcionam vistas magníficas;
  • As embarcações que quotidianamente transportam milhares de pessoas;
  • Os barcos tradicionais que ainda se podem observar com as suas cores garridas cuidadosamente preservadas;
  • Belas e diversificadas paisagens que alternam entre locais destinados a momentos de lazer, parques industriais e natureza quase selvagem que podem ser observados em ambas as margens.

O rio tem sido referido ao longo de todas as épocas em escritos de poetas eruditos ou na expressão cantada das gentes mais simples. Protagonista de grandeza ou de desgraça, o Tejo é assim, ele próprio, a expressão do alfacinha simultaneamente aventureiro e fatalista, aberto e tradicional.

Maio 16, 2018 getLISBON

Hoje desafiamos os nossos leitores a aventurarem-se numa visita ao Solar dos Zagallos. Um antigo palacete na Sobreda, a 15 minutos de Lisboa, mesmo ao lado da cidade de Almada na margem sul do Tejo. Nesta surpreendente casa apalaçada do século XVIII, hoje pertença da Câmara Municipal de Almada, encontra-se instalado um Centro Cultural particularmente dinâmico. Estão assim reunidos o valor patrimonial da casa e as actividades culturais contemporâneas que justificam a nossa escolha para um agradável passeio. A partir da segunda metade do século XVII esta região começou a ser ocupada por famílias nobres que aqui construíam os seus…

Fevereiro 21, 2018 getLISBON 4Comment

Há cerca de trinta anos desenvolvemos uma pesquisa sobre a pintura decorativa dos barcos tradicionais do Tejo e tivemos oportunidade de conhecer, à época, um dos últimos pintores populares, o mestre José Lopes. Constatámos que pouco restava deste impressionante legado. Os barcos eram, na sua maioria, fantasmagóricas carcaças enterradas no lodo das praias fluviais da margem Sul. O segredo da sua construção e pintura eram domínio de muito poucos. O interesse pela manutenção destes saberes parecia ser algo que desapareceria em menos de uma geração. Nessa altura, muitos barcos foram até vendidos para o estrangeiro e aí transformados em bares…