Julho 1, 2020 getLISBON 0Comment

Se pensa que o Museu do Fado é um espaço vetusto onde apenas se guardam memórias de um passado distante, desengane-se! Aceite o nosso desafio e conheça um espaço museológico dinâmico, onde se exalta a história e, diariamente, se vive e celebra o universo do Fado e da guitarra portuguesa.

No nosso artigo Fado, uma Sonoridade de Lisboa demos-lhe a nossa ideia sobre este hino ao sentimento tão lisboeta e tão português, que desde já o convidamos a re/ler.

Museu do Fado

O Museu dispõe de audioguias que permitem ouvir intérpretes do fado de ontem e de hoje.
O Museu dispõe de audioguias que permitem ouvir intérpretes do fado de ontem e de hoje

Aberto ao público a 25 de Setembro de 1998, o Museu do Fado tem desde então levado a cabo a missão de difundir o conhecimento desta expressão musical tão particular. 

Com as suas diferentes actividades pretende preservar, conservar, investigar, interpretar, promover, expor e divulgar o universo do fado e da guitarra portuguesa.

O Museu do Fado celebra este património cultural de Lisboa e do povo português nas antigas instalações de uma estação elevatória de águas, no coração do bairro de Alfama, no Largo do Chafariz de Dentro. 

É composto por dois pisos de exposição permanente e um dedicado a exposições temporárias, loja e restaurante. Estes espaços constituem um agradável local onde apetece permanecer, usufruindo não só dos apelativos grafismos que nos contam tantas histórias, como das sonoridades que nos são oferecidas através de audioguias que nos permitem ouvir intérpretes do fado de ontem e de hoje.

As coloridas capas dos discos de vinil remetem-nos para os nomes incontornáveis dos intérpretes do fado
As coloridas capas dos discos de vinil remetem-nos para os nomes incontornáveis dos intérpretes do fado

Ao longo do percurso ficará a conhecer a história do fado, desde a sua génese à actualidade. A sua passagem de música popular de rua, primeiro para o teatro, depois para a rádio, o cinema, a televisão… 

O colorido das capas dos discos, o preto e branco dos filmes antigos, o peso da censura, os grandes nomes dos emblemáticos intérpretes e um importante acervo de artes plásticas, a par da evolução técnica da guitarra portuguesa são muitos dos aspectos a reter numa visita.

Assim como uma impressionante janela de onde se avista a encosta de Alfama e tantos elementos cantados nos fados como: o Chafariz de Dentro, a Rua dos Remédios, a Igreja de Santo Estevão…

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Testemunhos Materiais da Imaterialidade

O Museu é detentor de um acervo variado
O Museu é detentor de um acervo variado

Todos os dias o espólio do Museu do Fado cresce através de doações de testemunhos materiais dessa tradição oral, manifestação musical efémera, que desde 2011 se constitui como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Um acervo que reúne fotografias, cartazes, partituras, colecções de periódicos, instrumentos musicais, fonogramas, trajes, prémios e documentação diversa que testemunha, ilustra e conta a história dessa vivência tão particular que é o mundo do fado.

São testemunhos deixados pelos seus protagonistas: intérpretes, autores, compositores, construtores de instrumentos, investigadores, teóricos, artistas… Personalidades que de uma forma ou outra se relacionam com o universo do fado e fazem questão de participar na construção da sua história através da partilha do seu espólio com esta instituição e com o seu público.

O Fado de Malhoa

No meio de tão variado espólio nota para obras de arte de artistas de muitas épocas que foram sensíveis a este tema.

Encontramos exposto entre outras obras de pintura, o magnífico quadro do pintor naturalista José Malhoa (1855-1933), O Fado, que escolhemos para a capa deste nosso artigo.

Uma pintura de 1910 que dispensa apresentações mas que encerra tantas histórias curiosas. Nada como acompanhar uma visita guiada para que entusiasticamente lhe sejam transmitidas muitas das particularidades desta obra.

Contamos-lhe aqui apenas duas:

Malhoa quis retratar duas personagens reais Amâncio e Adelaide, dois afamados marginais, à época o mesmo que dizer fadistas, do bairro da Mouraria.

Adelaide apresentava muitas tatuagens mas foi sugerido ao pintor que as omitisse pois o conjunto já era suficientemente provocatório. Malhoa seguiu o conselho e apenas representou uma quase imperceptível marca na mão direita da personagem que indica que Adelaide já tinha sido presa…

Como era de esperar, o quadro não foi bem acolhido pela crítica nacional que considerou este tema menor e marginal e por isso pouco digno de ser retratado.

A obra foi então exposta, sempre com sucesso, no estrangeiro. Primeiro em 1910 na Exposição Internacional de Arte do Centenário da República da Argentina em Buenos Aires onde lhe foi atribuída a Medalha de Ouro. Depois seguiu-se Paris, Liverpool e em 1915, São Francisco onde voltou a ser premiada.

Após a aclamação no estrangeiro é finalmente exposta em Lisboa, em 1917, na 14ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes. É nessa altura adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa e colocada no seu Salão Nobre até ter transitado para o então Museu da Cidade, actual Museu de Lisboa. Hoje encontra-se, e muito bem, emprestada ao Museu do Fado.

Dinamismo e Diversidade de Valências no Museu do Fado

Aspecto de um dos espaços do Museu do Fado
Aspecto de um dos espaços do Museu do Fado

O fado é um organismo vivo em permanente mutação. Um património imaterial em permanente construção. Novos artistas correspondem a novas interpretações e a novas vivências. 

O Museu do Fado é dinâmico, tal como o património que protege. Esse dinamismo está presente na diversidade de valências que promove. Uma variedade de actividades que passam pela exibição regular de exposições temporárias que nos fazem voltar ciclicamente, assim como a realização de seminários, workshops, apresentações discográficas e editoriais, concertos, visitas guiadas…

Para isso, conta com um auditório com capacidade de 90 lugares assim como com uma escola em funcionamento desde 2002. O seu programa pedagógico integra Cursos de Guitarra Portuguesa, Seminário de Letristas de Fado, Seminário de Poética de Fado e Gabinete de Ensaios para intérpretes de fado.

Atraentes grafismos contam-nos histórias curiosas
Atraentes grafismos contam-nos histórias curiosas

Este museu é frequentado mais por públicos estrangeiros do que por nacionais o que nos leva a pensar que tantas vezes continuamos a não valorizar as particularidades que nos definem enquanto povo e que geralmente são exactamente o que atrai quem nos visita.

O público nacional precisa aceitar o desafio de sair do seu conforto e deslocar-se a tantos museus e instituições que trabalham diariamente e bem, com entusiasmo e profissionalismo, na salvaguarda do património e cultura nacionais.

Veja a sua programação, surpreenda-se e não vai dar o seu tempo por perdido.


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