Setembro 2, 2020 getLISBON 0Comment

Desvendar a arte pública do Jardim do Príncipe Real foi uma promessa que fizemos no nosso artigo O Jardim do Príncipe Real, Atracções e Curiosidades.

Este magnífico jardim romântico que convida a permanecer encerra quatro peças de arte pública que importa conhecer.

Trata-se de três homenagens a intelectuais que marcaram o panorama das letras e da política nacionais e um memorial solidário muito recente que talvez ainda não conheça.

Monumento a França Borges

Monumento a França Borges, do escultor Maximiano Alves, no Jardim do Príncipe Real. É composto por: uma sobreposição de pedras que simbolizam a determinação e o trabalho do homenageado enquanto jornalista e activista republicano; a sua efígie representada num medalhão de bronze; e a figura da República em tamanho natural,  sentada em atitude de cumplicidade e agradecimento.
Monumento a França Borges, do escultor Maximiano Alves

A primeira peça de arte pública do Jardim do Príncipe Real que lhe trazemos é a mais antiga, realizada entre 1924 e 1925, e homenageia França Borges (1871-1915),  personalidade que durante algum tempo deu nome ao jardim.

Foi executada pelo escultor Maximiano Alves (1888-1954), autor entre outros do Monumento aos Mortos da Grande Guerra na Av. da Liberdade e da Estátua de Ferreira do Amaral que se encontra no bairro da Encarnação.

Este conjunto escultórico é composto por: uma sobreposição de pedras que simbolizam a determinação e o trabalho do homenageado enquanto jornalista e activista republicano; a sua efígie representada num medalhão de bronze; e a figura da República em tamanho natural,  sentada em atitude de cumplicidade e agradecimento.

Esta representação que associa o homenageado e outra figura que com ele se relaciona lembra algumas das obras que vimos do escultor Costa Motta (tio).

O Busto de Sousa Viterbo

Busto de Sousa Viterbo, do escultor Francisco dos Santos, no Jardim do Príncipe Real
Busto de Sousa Viterbo, do escultor Francisco dos Santos

O busto do escritor, jornalista e arqueólogo Sousa Viterbo (1845-1910) encerra uma história curiosa.

Pouco tempo após a sua morte, o futuro Presidente da República Bernardino Machado e o político Abel Botelho, apresentaram ao senado da República uma proposta que visava a produção do busto em bronze de Sousa Viterbo a custas do Estado.

O projecto foi chumbado e então o jornal Diário de Notícias lançou um livro com uma compilação de textos do seu ilustre colaborador a fim de angariar fundos para o mesmo propósito.

A iniciativa foi um êxito e em 1913 em vez de um foram feitos dois bustos da autoria de Francisco dos Santos (1878-1930), o mesmo escultor do Monumento ao Marquês de Pombal. Estes foram doados à Escola de Belas Artes e à Associação dos Arqueólogos Portugueses.

Esta associação veio anos mais tarde a oferecer esta peça à Câmara Municipal de Lisboa que decidiu a sua colocação no Jardim do Príncipe Real, tendo a sua inauguração ocorrido no dia 16 de Junho de 1950.

O facto de Sousa Viterbo ter falecido na então vizinha freguesia de São Mamede e a proximidade ao Bairro Alto, onde se localizavam os jornais e as tipografias, terá estado na origem da escolha deste local.

Memorial a Antero de Quental

Memorial a Antero de Quental, do escultor Lagoa Henriques, no Jardim do Príncipe Real. É uma escultura de carácter abstracto que conjuga o betão, a pedra e o aço e que remete para a última fase da poesia do escritor, quando esta ganha um tom metafísico, expressão angustiada da busca do sentido da existência.
Memorial a Antero de Quental, do escultor Lagoa Henriques

Desde 1991 que encontramos esta obra escultórica de arte pública do Jardim do Príncipe Real. Trata-se de um memorial de homenagem ao escritor açoriano Antero de Quental (1842-1891). A ideia mais tradicional de o fazer através de uma estátua estaria à partida posta de parte uma vez que já existia uma no Jardim da Estrela.

Esta iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, por ocasião do 1º centenário da morte do proeminente poeta, filósofo e político socialista, pretendia que esta obra fosse representativa do seu pensamento.

A tarefa foi entregue ao escultor Lagoa Henriques (1923-2009) que entre outras é autor da famosa estátua de Fernando Pessoa que se encontra no Chiado.

A escultura de carácter abstracto que conjuga o betão, a pedra e o aço remete para a última fase da poesia de Antero, onde esta ganha um tom metafísico, expressão angustiada da busca do sentido da existência.

Na base de betão estão inscritos dois sonetos de Antero de Quental:

Vozes do mar, das árvores, do vento!
Quando às vezes, num sonho doloroso,
Me embala o vosso canto poderoso,
Eu julgo igual ao meu vosso tormento…

Verbo crepuscular e intimo alento
Das coisas mudas; salmo misterioso;
Não serás tu, queixume vaporoso,
O suspiro do mundo e o seu lamento?

Um espírito habita a imensidade:
Uma ânsia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas.

E eu compreendo a vossa língua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha…
Almas irmãs da minha, almas cativas!

Lá! Mas onde é lá? — Espera,
Coração indomado! o céu, que anseia
A alma fiel, o céu, o céu da Ideia.
Em vão o buscas nessa imensa espera!

O espaço é mudo: a imensidade austera
De balde noite e dia incendeia…
Em nenhum astro, em nenhum sol se alteia
A rosa ideal da eterna primavera!

O Paraíso e o templo da Verdade,
Oh mundos, astros, sóis, constelações!
Nenhum de vós o tem na imensidade…

A Ideia, o sumo Bem, o Verbo, a Essência,
Só se revela aos homens e às nações
No céu incorruptível da Consciência!

Lisboa de Abril Cidade do Mundo – Homenagem às Vítimas da Intolerância Homofóbica

Lisboa de Abril Cidade do Mundo - Homenagem às Vítimas da Intolerância Homofóbica, do escultor Rui Pereira, no Jardim do Príncipe Real
Lisboa de Abril Cidade do Mundo – Homenagem às Vítimas da Intolerância Homofóbica, do escultor Rui Pereira

Em 2017 foi inaugurado no Jardim do Príncipe Real o memorial das vítimas da violência homofóbica e transfóbica em Portugal.

A implantação desta peça escultórica de Rui Pereira (1975), responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa revela duas realidades paradoxais. Por um lado a afirmação da cidade cosmopolita, multicultural, tolerante que se deseja e por outro a constatação de que se esta afirmação é necessária é porque esta realidade está ainda por cumprir.

Com esta obra de arte pública do Jardim do Príncipe Real o escultor procurou criar um espaço de introspecção e de reflexão, uma porta aberta ao encontro do outro e de nós próprios na construção de uma sociedade que se deseja mais livre, mais coesa e mais justa.

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