Outubro 16, 2019 getLISBON 0Comment

Com este artigo A Escultura da Av. da Liberdade – Nascente completamos o percurso da arte pública presente nesta importante artéria da cidade de Lisboa.

Em escultura da Av. da Liberdade – Poente abordámos as seis intervenções situadas no lado poente da avenida. Da Praça Marquês de Pombal aos Restauradores fomos ao encontro de peças tão diversas como a estatuária oficial dos anos 40 do séc. XX e a Alegoria ao Rio Douro do séc. XVIII, entre muitas outras curiosidades.

Desta vez apresentamos-lhe sete peças de arte pública, produzidas entre os séculos XVIII e XXI.

Voltamos a sugerir o trajecto descendente, mas se quiser fazer os dois percursos no mesmo dia pode sempre seguir este roteiro do fim para o princípio.

Sete Peças de Escultura da Av. da Liberdade – Nascente

Iniciamos o nosso percurso mais uma vez na Praça Marquês de Pombal, desta vez na placa ajardinada do lado esquerdo.

Começamos por encontrar as duas estátuas de vulto que faltavam do conjunto de quatro de que já lhe falámos. Encomendadas pela CML – Câmara Municipal de Lisboa, homenageiam escritores do séc. XIX e encontram-se no cruzamento da avenida com a Rua Alexandre Herculano.

Estátua de Vulto de Almeida Garrett

A Escultura da Av. da Liberdade - Nascente:  estátua de vulto de Almeida Garrett encontra-se no cruzamento da Av. da Liberdade com a Rua Alexandre Herculano
Estátua de Almeida Garrett, de Salvador Barata Feyo

A primeira destas estátuas representa a figura do ilustre escritor, poeta e dramaturgo, fundador do Teatro Nacional D. Maria II, expoente máximo do Romantismo em Portugal Almeida Garrett (1799-1854)

Trata-se de uma obra de grandes dimensões, em mármore, produzida entre 1945/6 e inaugurada em 1950, da autoria de Salvador Barata Feyo (1899-1990). O mesmo artista modernista da escultura de homenagem ao escritor Alexandre Herculano que observámos do lado poente.

Estátua de Vulto de Oliveira Martins

Estátua de vulto de Oliveira Martins figura incontornável da historiografia portuguesa
Estátua de Oliveira Martins, de Leopoldo de Almeida

Atravessamos a Rua Alexandre Herculano e encontramos a última do conjunto de quatro estátuas, a de homenagem a Oliveira Martins (1845-1894). Uma figura incontornável da historiografia portuguesa, escritor, político, crítico social, antropólogo… um intelectual multifacetado, como era frequente nesse século.

Desta vez o autor é o escultor Leopoldo de Almeida (1898-1975), o mesmo artista da estátua de Feliciano Castilho que vimos do lado oposto da avenida. Foi produzida em 1948 e a última a ser inaugurada em 1952.

Escultura de Rui Chafes

Sou como tu é uma obra oferecida à cidade em 2008 pela Fundação PLMJ
Sou como tu, Rui Chafes, 2008

Da escultura modernista dos anos 40 damos um salto no tempo ao parar junto da intervenção “Sou como tu” do premiado escultor contemporâneo Rui Chafes (1966). 

Trata-se de uma escultura em ferro, com cerca de 6m de altura, oferecida à cidade em 2008 por uma entidade privada, a Fundação PLMJ.

Segundo nos revela o próprio artista, a escultura pública reporta à dimensão espiritual da humanidade, tem por isso a função de elevação do ser humano. Com esta peça o escultor propõe uma coluna de fumo que, evocando a leveza, tem como objectivo promover um espaço de paz e silêncio no meio de uma das artérias mais movimentadas da capital.

Busto de Fryderyk Chopin

Escultura da Av. da Liberdade - Nascente:Busto de Chopin em bronze que reproduz a obra em mármore de 1872, do escultor polaco Bolesław Syrewicz
Busto de Chopin frente ao Teatro Tivoli

Em 1872 o escultor polaco Bolesław Syrewicz (1835-1899) esculpiu em mármore, para a Sociedade Musical de Varsóvia, o busto de Frédéric Chopin (1810-1849). Peça original que hoje se conserva no Museu Nacional de Varsóvia.

No final do séc. XX, o Estado polaco decidiu fazer reproduções em bronze deste trabalho e oferecê-las a diversas cidades. Paris foi uma delas. Desde 1999, 150º aniversário da morte do compositor, que o Jardim do Luxemburgo exibe um destes bustos.

Lisboa também foi contemplada, tendo neste caso o busto sido inaugurado em 2012 com a presença do então presidente da Polónia Brosniraw Konorowski e do presidente da CML, à data António Costa.

Esta é a mais recente intervenção na escultura da Av. da Liberdade – Nascente, encontramo-la, discreta muito próxima do Teatro Tivoli BBVA.

Estátua de Vulto de Simon Bolivar

Estátua de vulto, em bronze de Simón Bolívar, de Arturo Rus Aguilero, 1978
Estátua de Simón Bolívar, de Arturo Rus Aguilero

Antes de atravessarmos a Rua das Pretas encontramos uma estátua de vulto, em bronze, de grandes dimensões (5,5 m) que, apesar dessa característica, lhe pode passar despercebida.

Trata-se da representação de Simon Bolívar (1783-1830), militar e líder político venezuelano, herói responsável pela independência sul-americana.

A presença de uma homenagem a esta importante figura da história da América Latina nesta avenida deve-se à iniciativa da comunidade portuguesa radicada na Venezuela, que a ofereceu ao Município em 1978. É obra do escultor venezuelano Arturo Rus Aguilero (c.1923-?) e do arquitecto da CML, Eduardo Martins Bairrada (1930-1987).

Alegoria ao Rio Tejo

Tanque serpenteado rematado a norte por uma cascata, por sua vez encimada por um elemento escultórico em pedra, uma alegoria ao Rio Tejo
Alegoria ao Rio Tejo

Passamos a Rua das Pretas e encontramo-nos no troço outrora ocupado pelo antigo Passeio Público, o jardim murado frequentado pela elite de Lisboa, que teve o seu fim em 1879 com a abertura da Av. da Liberdade.

Aqui voltamos a encontrar, em simetria com o lado poente, um tanque serpenteado rematado por uma cascata, desta vez com a representação do Rio Tejo.

Esta obra, do mesmo autor, Alexandre Gomes (1772-1775), encontra-se neste local desde 1836, também ela era destinada ao chafariz monumental que se projectou mas que não se realizou.

Conjunto Escultórico de Homenagem a Pinheiro Chagas

 Conjunto escultórico de homenagem a Pinheiro Chagas, de Costa Motta-tio, realizada em 1908
Monumento a Pinheiro Chagas, de Costa Motta-tio

Chegámos à última peça escultórica do nosso percurso pela escultura da Av. da Liberdade – Nascente.

Trata-se de uma homenagem ao escritor, jornalista e dramaturgo português Manuel Pinheiro Chagas (1842-1895). Esta homenagem resulta de uma subscrição promovida pelo jornal MALA DA EUROPA em Portugal e no Brasil, publicação quinzenal que existiu entre 1894 e 1898.

O monumento foi inaugurado em 1908 e a sua autoria é da responsabilidade do escultor Costa Motta – tio (1862-1930). O mesmo autor de peças tão emblemáticas como o túmulo do poeta Luís Vaz de Camões e do navegador Vasco da Gama (1894) que se podem admirar no Mosteiro dos Jerónimos; o monumento a Sousa Martins (1904), cujo molde se encontra na Casa dos Gessos, implantado no Campo dos Mártires da Pátria; ou a Estátua da Maria da Fonte (1920) do Jardim Teófilo Braga no bairro de Campo de Ourique.

A obra consiste num conjunto escultórico constituído por um busto de bronze sobre um pedestal de pedra e uma estátua também em bronze. O busto representa o escritor homenageado e a estátua encarna a Morgadinha de Valflor, personagem principal de uma das suas peças de teatro. Do pedestal pende ainda uma coroa de flores em bronze.

A calçada em volta reforça a mensagem e serve de legenda ao conjunto.


Antes de terminar este artigo escultura da Av. da Liberdade – Nascente, queremos chamar-lhe a atenção para as curiosidades descritas em Curiosos Segredos na Calçada Portuguesa em Lisboa, que estão igualmente presentes na calçada deste troço até à Praça dos Restauradores.

Se prestar atenção vai descobrir entre outras, uma estrela de seis pontas e um relógio. Faça uma fotografia das suas observações e partilhe-a connosco!

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