Junho 6, 2018 getLISBON 0Comment

Junho chegou, os festejos já começaram. Este é o mês mais esperado do ano! Mas quais as origens das Festas de Lisboa? Contamos-lhe agora!

Marcadas por grande envolvimento da população e de quem nos visita, as Festas de Lisboa dedicadas aos santos populares, reúnem diversas iniciativas culturais, folia e religiosidade.

Os arraiais populares dão um colorido especial à cidade com música, comes e bebes e muita animação. Lisboa cheira a sardinha assada, a febras grelhadas, a farturas e a manjericos enfeitados com cravos de papel e rimas.

O momento mais alto das festas tem lugar nos dias 12 e 13, véspera e dia de Santo António.

O primeiro dia é um corrupio entre os Casamentos de Santo António, o Desfile das Marchas e os Arraiais que duram até ao nascer do sol.

Dia 13 só podia ser feriado em Lisboa!

É então tempo para as manifestações religiosas. A procissão de Santo António, que percorre as apertadas ruas de Alfama, atrai milhares de devotos e curiosos. O cheiro é agora do inebriante rosmaninho dos incensórios que acompanham a marcha lenta.

Santo António, Procissão em Lisboa
Santo António, Procissão em Lisboa

Vamos saber mais sobre as origens das Festas de Lisboa, os Casamentos de Santo António e o Desfile das Marchas Populares.

 

Casamentos de Santo António

Em Lisboa a manhã do dia 12 de Junho é marcada pelos Casamentos de Santo António, o santo casamenteiro, padroeiro do coração dos alfacinhas.

Os populares acorrem para ver os noivos. As televisões concentram a sua atenção neste evento que mobiliza centenas de profissionais de diversas áreas. Os meios dividem-se entre as cerimónias religiosas na Sé de Lisboa e as cerimónias civis que têm lugar nos Paços do Concelho.

Para além dos casamentos, têm lugar renovações de votos de casais, também outrora Noivos de Santo António, que completam 50 anos de matrimónio.

Seguidamente é servido um almoço e no final do dia os noivos descem a Avenida da Liberdade integrados no desfile das Marchas Populares.

Noivos dos Casamentos de Santo António
Casamentos de Santo António

Mas esta tradição não se perde no tempo, a sua história está bem documentada e é relativamente recente. A primeira edição deste evento teve lugar em 1958. O jornal Diário Popular promoveu a ideia do olisipógrafo Augusto Cortês Pinto e com o patrocínio da CML – Câmara Municipal de Lisboa foi possível pô-la em prática.

Este casamento colectivo proporcionava a casais lisboetas de menores recursos financeiros a possibilidade de realizar uma festa e reunir bens materiais para um início de vida mais confortável.

Na altura, tal como hoje, diversas marcas dos mais variados produtos concorrem para patrocinar os noivos.

O evento foi interrompido após a revolução de 74, tendo sido recuperado 30 anos depois e tem vindo a ganhar popularidade e relevo.

A supervisão e empenho da CML em parceria com outras entidades garantem a qualidade do evento que é já considerado tradição indispensável às Festas de Lisboa.

 

Desfile de Marchas Populares

Elementos decorativos usados nas Marchas Populares
Elementos Decorativos Usados nas Marchas Populares

Arriscamos dizer que a organização das marchas de Santo António é o acontecimento mais agregador das comunidades dos bairros tradicionais de Lisboa. Os participantes, de todas as idades, unidos em colectividades, trabalham arduamente durante meses para levar a cabo esta exibição que para muitos constitui a noite mais aguardada do ano.

Para o evento são criadas canções, poemas, cenografia, trajes e coreografias que são ensaiadas à exaustão para que tudo saia na perfeição no dia do desfile que enche de cor a Avenida da Liberdade.

Desfile de Marchas Populares
Desfile de Marchas Populares

Cada grupo apresenta dois padrinhos, geralmente figuras públicas conhecidas de todos, e as mascotes, duas crianças de tenra idade.

O Desfile das Marchas é sempre transmitido em directo pela televisão e é aí que melhor pode apreciar as coreografias, o efeito de conjunto e tomar atenção aos pormenores em geral.

Mas para sentir o pulsar das Festas de Lisboa é preciso, naquela noite, descer a Avenida e ver e ouvir ao vivo esta festa.

Depois é tempo de arraiais e estragar a dieta com sardinhas, febras e chouriço na brasa, caracóis, farturas e… muita cerveja.

Entre arraiais oficiais e improvisados a escolha é sua.

Manjericos e arraiais
Manjericos e Arraiais

 

Origens das Festas de Lisboa – Das Tradições Seculares à Actualidade

O mês de Junho foi desde tempos remotos um tempo de festas e de cultos pagãos relacionados com o solstício e o período das colheitas.

A afirmação do cristianismo passou por associar os seus cultos próprios aos tradicionalmente instituídos.

As origens das Festas de Lisboa encontram-se assim na reunião destes dois elementos, festas pagãs e cristianismo.

As festas dedicadas a Santo António tinham duas datas, 15 de Fevereiro e 13 de Junho. Se o dia da trasladação do corpo do santo para a Catedral de Pádua acabou por ficar mais associado à liturgia, a data da sua morte em Junho foi mais conveniente à festa e à popularidade.

O carácter religioso patente na Trezena, na Missa Pontifical na Sé e na Procissão de Santo António, juntou-se às festividades da época.

Faziam-se touradas no Terreiro do Paço e no Rossio, ofertas rituais de manjericos e flores, fogueiras e arraiais a que os populares acorriam em grupo, cantando e empunhando varas com balões acesos e que estão na origem do desfile das marchas. As crianças construíam tronos ao Santo António e pediam 5 milreizinhos para a cera de Santo António.

O terrível terramoto de 1755 destruiu a Igreja de Santo António, uma construção Manuelina construída sobre o local onde terá nascido o Santo em 1191. A sua reconstrução foi totalmente financiada pela população através das esmolas angariadas durante anos, pelos meninos dos bairros que continuaram a fazer os tronos então com esse objectivo.

Trono de Santo António
Trono de Santo António

No século XX com o Estado Novo o carácter espontâneo das festas foi sendo regulado. A visão modernista do regime totalitário visava “limpar” os bairros e construir uma nova cidade, assim também as festas ganharam um novo rosto. O improviso popular deu lugar ao folclore cinematográfico. Organizou-se o concurso do Desfile de Marchas e mais tarde as Noivas de Santo António, tudo devidamente regulado.

 

As Festas de Lisboa nos Nossos Dias

Após o 25 de Abril, as tradições e festas populares foram inevitavelmente associadas ao regime e naturalmente abolidas.

Foram necessários muitos anos para as Marchas regressarem à rua.

Hoje, as festividades voltaram a ser celebradas com muito entusiasmo pelos populares.

Mas a autarquia tem aqui um papel decisivo, incentivando o envolvimento da população e fomentando o conhecimento sobre as origens das Festas de Lisboa. O Museu de Santo António tem tido um papel importante no estudo e na divulgação da história das tradições.

O Concurso Sardinhas Festas de Lisboa, que este ano já vai na sua 8.ª edição, atrai milhares de participantes nacionais e estrangeiros. O objectivo é a criação da imagem das sardinhas a utilizar na campanha de comunicação das Festas de Lisboa.

Os tronos receberam novo fôlego através da iniciativa da EGEAC  e do Museu de Santo António de organizar um concurso desde 2016. O Museu fornece gratuitamente uma base para o trono e o resto da decoração depende apenas da criatividade dos participantes que este ano se espera serem já de algumas centenas.

Extra concursos, nas ruas dos bairros mais tradicionais, continuamos a encontrar janelas e varandas enfeitadas com tronos, sardinhas, flores, festões e balões de papel coloridos.

Varandas enfeitadas
Varandas Enfeitadas

Mas as actuais Festas de Lisboa não são só tradição e concursos. A CML e a EGEAC promovem actividades culturais gratuitas, exposições, cinema, concertos de música para todos os gostos sempre com muita animação.

Difícil é escolher!

Contudo, há sempre um lado problemático e um deles são os resíduos de tanta folia. Todos os anos o lixo que fica espalhado pela cidade é um desafio às Juntas de Freguesia que têm promovido a recolha selectiva dos plásticos. Este ano a proposta da CML é mais ambiciosa. Consiste na substituição dos copos de plástico descartável por outros reutilizáveis. Não será fácil mas cabe a todos contribuir para a redução de desperdícios.

Fica aqui o apelo! Vivam as Festas de Lisboa! 🙂

 

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