Janeiro 16, 2019 getLISBON 0Comment

Espalhadas pela cidade, aplicadas nas fachadas dos edifícios, encontramos inúmeras placas com a indicação de que ali nasceu, viveu ou morreu uma personalidade notável. Mas o que é mais surpreendente é haver sete placas no mesmo edifício, é o caso da casa das placas evocativas no Bairro Alto.

As placas são testemunhos de momentos da história da cidade e da vida dos seus cidadãos. Mais ou menos elaboradas, de diversas formas e tamanhos, estão presentes um pouco por todo o lado e merecem a nossa atenção.

Existe um edifício no centro de Lisboa que exibe sete placas evocativas relativas a igual número de personalidades que se destacaram na vida cultural da cidade e do país. Apesar de central, não será exactamente um local de passagem, e mesmo para quem ali passa diariamente esta pode ser uma novidade.

Trata-se do nº6 da Rua João Pereira da Rosa, antiga Calçada dos Caetanos, um edifício junto ao Conservatório Nacional.

As personalidades homenageadas na casa das placas evocativas no Bairro Alto marcaram o panorama das artes plásticas e das letras dos séculos XIX e XX.

Vamos conhecê-los!

As Sete Personalidades da Casa das Placas Evocativas no Bairro Alto

As 7 placas evocativas do nº6 da Rua João Pereira da Rosa
As sete placas evocativas

Ramalho Ortigão

Como se pode ler numa das placas evocativas, afixada pelo município em 1935, neste prédio viveu e em 27 de Setembro de 1915 faleceu o escritor Ramalho Ortigão (Porto 1836 – Lisboa 1915). De facto o célebre escritor ocupou as águas-furtadas deste edifício e ali veio a falecer vítima de cancro.

Foi um dos protagonistas da ilustre Geração de 70, movimento político, artístico e literário revolucionário do séc. XIX que introduziu o Realismo, e mais tarde um dos auto-intitulados Vencidos da Vida, um grupo informal dos mesmos intelectuais que, desiludidos com o insucesso do processo de modernização que haviam defendido na juventude, se reuniam em elegantes tertúlias gastronómicas, utilizando o humor como expressão.

Oliveira Martins

Uma das mais ilustres figuras homenageada nestas placas evocativas, viveu no 1º andar e ali faleceu em 1894. Trata-se de Oliveira Martins (Lisboa 1845 – Lisboa 1894), uma das figuras-chave da historiografia contemporânea portuguesa. Mais um dos autores da Geração de 70, controverso e multifacetado como era apanágio dos intelectuais do séc. XIX.

António Ferro e Fernanda de Castro

O mesmo andar veio posteriormente a ser habitado pelo casal António Ferro (Lisboa 1895 – Lisboa 1956) e Fernanda de Castro (Lisboa 1900 – Lisboa 1994). Ele, jornalista e político ligado ao regime ditatorial de Salazar, desenvolveu grande actividade nas áreas da propaganda, turismo e actividades culturais em geral. Ela foi escritora, poetisa, tradutora e fundadora dos jardins-escolas. As placas evocativas que os evocam referem que aqui viveram a partir de 1922, ano do seu casamento.

Bernardo Marques e Ofélia Marques

Um outro casal, desta vez relacionado com as artes plásticas habitou, nos anos 30, o segundo andar deste peculiar edifício: Bernardo Marques (Silves 1898 – Lisboa 1962) e Ofélia Marques (Lisboa 1902 – Lisboa 1952). Ele, figura destacada da 2ª geração modernista, celebrizou-se particularmente como artista gráfico, designer e decorador. Ela desenvolveu o seu trabalho também como desenhadora autodidacta, destacando-se como ilustradora de publicações infantis.

José Gomes Ferreira

Por fim, mas nem por isso menos ilustre, outro nome incontornável das Letras em Portugal completa a lista dos moradores homenageado na casa das placas evocativas no Bairro Alto. José Gomes Ferreira (Porto 1900 – Lisboa 1985), licenciado em Direito, escritor, poeta, jornalista e activista político anti-fascista e democrata, aqui viveu nos anos 30 com a sua primeira mulher Ingrid.

Fred Kradolfer

Não fazendo parte dos sete ilustres evocados nas placas, mas ainda na lista de moradores de destaque, o artista plástico suíço Fred Kradolfer (Zurique 1903 – Lisboa 1968), que a par de Bernardo Marques integrou o grupo de artistas decoradores do Secretariado da Propaganda Nacional, promovido em 1933 por António Ferro.

Dos seus trabalhos destacamos, como curiosidade, os painéis de azulejos produzidos pela Fábrica Viúva Lamego,  com a representação de vistas da cidade que encontramos no Miradouro de São Pedro de Alcântara (1962), Miradouro do Castelo de São Jorge (1963), Miradouro da Nossa Senhora do Monte (1963) e no Miradouro do Monte Agudo (1965).

Painel de azulejos com vista da cidade, da autoria de Fred Kradolfer, no Miradouro de São Pedro de Alcântara
Painel de azulejos com vista da cidade, da autoria de Fred Kradolfer, no Miradouro de São Pedro de Alcântara

A casa das placas evocativas no Bairro Alto sem dúvida é um edifício peculiar que muito teria a contar.

Curiosidade

Uma vez que neste artigo lhe falámos da casa das placas evocativas no Bairro Alto, local de vivência e falecimento de artistas plásticos e escritores, pensamos ser pertinente referir, pela proximidade, mais duas moradas relevantes neste bairro que encerra muitas histórias relacionadas com personalidades ilustres ligadas à cultura.
Na Rua Luz Soriano encontra-se o Hospital de Saint Louis, local onde faleceu o famoso poeta Fernando Pessoa (Lisboa 1888 – Lisboa 1935) e o multifacetado artista plástico Almada Negreiros (Trindade, São Tomé e Príncipe 1893 – Lisboa 1970).
Mais abaixo na Travessa André Valente nº25 encontramos a última morada do poeta pré-romântico Bocage (Setúbal 1765 – Lisboa 1805) que ali faleceu com apenas 40 anos de idade.
Na Rua Luz Soriano encontra-se o Hospital de Saint Louis local onde faleceu o famoso poeta Fernando Pessoa (Lisboa 1888 – Lisboa 1935)
Placa evocativa de Fernando Pessoa no Hospital de Saint Louis, na Rua Luz Soriano no Bairro Alto
Na Travessa André Valente nº25 encontramos a última morada do poeta pré-romântico Bocage (Setúbal 1765 – Lisboa 1805) que ali faleceu com apenas 40 anos de idade.
Placa evocativa do poeta Bocage na Travessa André Valente no Bairro Alto

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