Surpreendente Calçada Portuguesa do Parque das Nações

Portuguese Pavement in Parque das Nações: Alameda dos Oceanos
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Neste artigo vamos conhecer a calçada portuguesa do Parque das Nações através de imagens aéreas que nos permitem novas e surpreendentes perspectivas. Com efeito, muitas destas intervenções contam histórias e só têm verdadeiro impacto e significado se observadas na sua totalidade.

A actual zona do Parque das Nações resulta do projecto de reconversão urbana e  requalificação ambiental de uma área degradada da Lisboa oriental, que decorreu da realização da Exposição Mundial de 98 sob o tema Os Oceanos: Um Património para o Futuro.

Toda a infraestrutura, edifícios, equipamentos urbanos…, mesmo a arte pública, foram planeados para a sua permanência após a Exposição.

A calçada portuguesa é uma delas. 

6 Peças de Arte na Calçada Portuguesa do Parque das Nações

Para os projectos de calçada portuguesa do recinto da Expo 98, foram convidados seis artistas plásticos portugueses: Pedro Calapez, Fernanda Fragateiro, Pedro Proença, Xana (Alexandre Barata), Fernando Conduto e Rigo (Ricardo Gouveia).

Numa abordagem diversa da tradicional, que geralmente aposta na repetição ou alternância de módulos que formam padrões, estes artistas propuseram, em geral, elementos livres que contam histórias, simbolismos, relações com elementos envolventes… Estas intervenções, se por um lado revelam originalidade, por outro criam, muitas vezes, quando observados do nível térreo, dificuldades na sua percepção.

Por isso, recorremos à tecnologia para lhe trazer uma outra perspectiva da calçada portuguesa do Parque das Nações, iniciando o nosso percurso a partir do extremo sul.

Sem Título – Pedro Calapez

Calçada Portuguesa do Parque das Nações: Sem Título, calçada portuguesa de Pedro Calapez, junto à Torre da Galp
Sem Título, calçada portuguesa de Pedro Calapez

A calçada concebida por Pedro Calapez encontra-se junto à Torre da Galp, o único elemento que ainda se mantém da antiga refinaria que aqui existiu, hoje, um símbolo de memória da actividade industrial desta zona.

A intenção do autor era oferecer leituras diferentes da sua obra ao visitante: “um desenho não repetitivo, não padronizado e totalmente relacionado com a minha prática artística, propõe-se um “ver” através [de] diversos “olhares”. Para quem passa tratam-se de linhas, pedaços de ramagens, de portas, escadas, evocações de espaços interiores num exterior, descobrindo-se o desenho pouco a pouco, em que a sensação de continuidade só é possível numa articulação com a memória. Será apenas quando o passeante subir à torre de queima que lhe será permitida a visão global, a unificação do desenho visto às partes anteriormente. No entanto será de novo surpreendido pois verifica que o desenho é constituído por partes heterogéneas que por vezes se ligam umas às outras mas não revelam uma cena com um sentido global…”

Infelizmente o acesso à torre então previsto, com a instalação de um restaurante ou, mais tarde, de um miradouro, não se concretizou, o que nos impede a surpresa de uma “visão global” e consequente leitura completa desta intervenção.

Pedro Calapez nasceu em Lisboa, em 1953, estudou na Escola de Belas Artes, trabalhou como fotógrafo profissional, mas é na pintura que se destaca como um dos nomes nacionais mais reconhecidos.

Penélope – Fernanda Fragateiro

Calçada Portuguesa do Parque das Nações: Penélope, calçada portuguesa de Fernanda Fragateiro, no Jardim da Água
Penélope, calçada portuguesa de Fernanda Fragateiro

Continuemos até ao grande Jardim da Água. Este espaço, que pretende ilustrar diferentes ambientes ao longo de um curso de água desde a sua nascente, está subdividido em: Jardim das Palmeiras, Pomar do Mediterrâneo, Lago de Ulisses, Cascata e Jardim Hidráulico.

É ao percorrer esta vasta área que podemos apreciar um conjunto de trabalhos artísticos de Fernanda Fragateiro: Cortina, Bancos, Espelhos, Sombras e Penélope.

Este último, um desenho de uma malha tricotada executado em calçada portuguesa de calcário branco sobre calcário preto, evoca a esposa de Ulisses, rei de Ítaca e protagonista no poema épico Odisseia, atribuído a Homero.

Penélope personifica a astúcia e a fidelidade conjugal. Após anos sem notícias do seu marido, que se havia ausentado para combater na Guerra de Tróia, e pressionada a contrair matrimónio com um dos pretendentes ao trono, colocou a condição de que tal aconteceria apenas quando terminasse a mortalha que tecia para o seu sogro. Decidida a esperar pelo marido, adoptou o estratagema de desfazer todas as noites o que tinha feito durante o dia, o que permitiu adiar o compromisso mais alguns anos até ao regresso de Ulisses.

Fernanda Fragateiro, nascida em 1962, é uma artista multifacetada cujo trabalho engloba escultura, instalação, ilustração, intervenções integradas em projectos de arquitectura e paisagismo, entre outros.

Monstros Marinhos – Pedro Proença

urban art
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Monstros Marinhos 1

Av. Álvares Cabral

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Monstros Marinhos 2

Av. Álvares Cabral

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Av. Álvares Cabral

Monstros Marinhos 3

Av. Álvares Cabral

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Monstros Marinhos, calçada portuguesa de Pedro Proença

Toda a frente do Oceanário de Lisboa até ao Largo José Mariano Gago, encontra-se povoado de monstros marinhos da autoria de Pedro Proença. Este artista plástico, nascido em Angola em 1962 , habituou-nos aos seus desenhos que nos levam ao mundo imaginário, através da metamorfose e/ou osmose de formas inanimadas, humanas, animais ou vegetalistas.

Nesta calçada podemos identificar seres como estrelas-do-mar, polvos, serpentes, peixes, elefantes-marinhos, moluscos… que, maioritariamente, apresentam expressões e características humanas como sorrisos, olhos, nariz, sobrancelhas e até uma mão com cauda de peixe.

Estas figuras remetem-nos para as criaturas marinhas das cartas de marear medievais e renascentistas. Serpentes, sereias, monstrengos… simbolizavam perigos para a navegação em regiões inexploradas e misteriosas.

Os monstros marinhos da calçada portuguesa do Parque das Nações apelam à nossa imaginação mas também têm como intenção alertar para os perigos e ameaças a que hoje os ecossistemas marinhos estão sujeitos devido à actividade humana.

Calçada do Mar Português – Xana (Alexandre Barata)

Calçada do Mar Português de Xana, junto ao Pavilhão do Conhecimento
Calçada do Mar Português de Xana

Na mesma zona, no Cais Português, ao lado do Pavilhão do Conhecimento e ao longo de cerca de 600 metros, podemos observar composições de Xana. Esta intervenção é a única que dispensa uma vista aérea para a sua compreensão.

Trata-se de formas geométricas abstractas constituídas por calcários branco e preto embutidos em pavimento de pedra escura granítica, infelizmente em estado muito irregular o que dificulta a passagem com segurança.

Segundo informação disponível, os desenhos desta calçada foram inspirados nas plantas e alçados do Pavilhão do Conhecimento. Com efeito, entre muitos elementos distintos identificámos alguns que se podem associar aos tijolos de vidro e às vigas de madeira presentes na fachada deste edifício.

Os motivos desta calçada lembram-nos ainda uma imagem computorizada, em que cada pedra corresponde a um pixel.

Alexandre Barata é um artista visual, nascido em 1959, que produz trabalhos muito diversificados, entre os quais: escultura, instalação, pintura, cenografia, arte urbana… Encontra-se representado em colecções e museus nacionais e estrangeiros.

Mar Largo – Fernando Conduto

Mar Largo, calçada portuguesa de Fernando Conduto, Rossio dos Olivais
Mar Largo, calçada portuguesa de Fernando Conduto

O Rossio dos Olivais é o próximo ponto de paragem, a meio do recinto, onde se encontram as bandeiras de organizações e países participantes na Expo98, assim como, o gigante lince ibérico, realizado em 2019, por Bordalo II.

Aqui observa-se a calçada designada Mar Largo, o que nos remete de imediato para o emblemático padrão da praça do Rossio, o primeiro a ser executado num espaço público em Lisboa e sobre o qual lhe falámos em As Origens da Calçada Portuguesa e os seus Primeiros Exemplares.

Fernando Conduto (1937), artista plástico multifacetado com trabalhos em várias áreas como a escultura, a pintura, o design ou a medalhística… reinterpreta este tema através de traços ondulados irregulares que criam a sensação do movimento de um curso de água que atinge uma zona mais larga antes de desaguar no Tejo.

As imagens aéreas e a referência presente no artigo Pisando Arte e Matemática em Lisboa(1) permitiram-nos trazer uma observação adicional que dificilmente será perceptível quando passeamos sobre esta calçada. Os traços, aparentemente, livres e não padronizados escondem o uso de quatro módulos (M1 a M4), repetidos alternadamente, formando um friso, como ilustra o esquema:

Esquema onde ilustra o uso de quatro módulos (M1 a M4), repetidos alternadamente, formando um friso

Este friso termina antes de chegar ao rio, abrindo para um espaço quadrangular, onde estão aplicados apenas os módulos 1 e 2, criando um padrão. Os dois módulos foram desenhados de modo que a justaposição possa ser feita tanto na horizontal como na vertical.

Esquema onde ilustra a aplicação dos módulos 1 e 2, criando um padrão

(1) Pisando Arte e Matemática em Lisboa, Alda Carvalho, Carlos Pereira dos Santos, Jorge Nuno Silva, Ricardo Cunha Teixeira, Revista Convocarte Nº2, Setembro 2016, Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Caminho de Água – Rigo (Ricardo Gouveia)

Sugerimos que continue para Norte até à Rotunda dos Vice-Reis e faça o caminho de volta, pela Alameda dos Oceanos.

Ao longo de 1,5km, entre os coloridos vulcões de água, estão presentes inúmeros motivos em calçada portuguesa: elementos gráficos e escritos, figuras… todos da autoria de Rigo.

urban art
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Caminho de Água

Av. Álvares Cabral

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Caminho de Água 2

Av. Álvares Cabral

Av. Álvares Cabral

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Caminho de Água 3

Av. Álvares Cabral

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Caminho de Água, calçada portuguesa de Rigo

Mas a composição que mais nos surpreendeu é a de duas personagens vistas de cima a trabalharem em simultâneo sobre uma peça composta por motivos vegetalistas e padrão axadrezado.

Do lado esquerdo, um calceteiro sentado sobre a perna esquerda dobrada, martela um cubo de pedra. Do outro, uma figura feminina, de óculos e de chinelos calçados, encontra-se sentada a fazer crochet. Cada um constrói, através do seu ofício, uma peça comum.

No centro do desenho pode-se ler a palavra “SODÁDE” em crioulo cabo-verdiano, que nos lembra a canção celebrizada pela cantora Cesária Évora e que sugere a ligação entre Portugal e outros países de língua portuguesa.

Sódade, Caminho de Água de Rigo, Alameda dos Oceanos
Sódade, calçada portuguesa de Rigo

Ricardo Gouveia (1966) nasceu e cresceu na Ilha da Madeira, tendo emigrado para os EUA em 1985, mais precisamente para São Francisco, onde estudou e iniciou a sua carreira artística. As suas intervenções vão da pintura e da banda desenhada à arte pública e reflectem, muitas vezes, o tema da multiculturalidade.


Chegado ao fim desta mostra da calçada portuguesa do Parque das Nações, esperamos ter contribuído para que numa próxima visita a esta zona da cidade, a sua atenção também se concentre, agora com um novo olhar, sobre estas abordagens na arte de calcetar.

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