Lisboa em Nós de Luísa Coelho

Em Lisboa em Nós de Luísa Coelho conta-nos a sua experiência de adaptação à cidade, as suas particularidades e o seu permanente apelo à terra.
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Esta semana temos o prazer de contar com o testemunho de uma engenheira do ambiente que não tendo nascido em Lisboa aqui vive e trabalha no município, ensinando aos lisboetas como devem tratar os seus resíduos orgânicos. Em Lisboa em Nós de Luísa Coelho conta-nos a sua experiência de adaptação à cidade, as suas particularidades e o seu permanente apelo à terra.

Sou a Luísa Coelho e vim para Lisboa estudar para a universidade em 1994, com 18 anos. Ao contrário do que esperava, a adaptação à grande cidade não foi fácil: os meus colegas eram todos de Lisboa, com rotinas estabelecidas e eu sentia-me estranha, desenquadrada e triste. 

Vinha na expectativa numa vida académica que não existia, valeu-me a minha irmã mais velha com quem partilhava um quarto alugado e acabei por ser adoptada pelos seus amigos. Dois anos depois, chegou a minha irmã mais nova e a minha estrutura ficou mais completa. Acho que comecei a sentir-me mais confortável quando comecei a trabalhar a meio tempo e a estudar à noite: sentia-me útil e percebi que os trabalhadores estudantes são obrigados a serem solidários.

Em 2000, quando acabei o curso, precisava de fazer estágio curricular e alguém me aconselhou a tentar candidatar-me à Câmara Municipal de Lisboa. Sem alternativas nem expectativas, inscrevi-me. Fiz o estágio e adorei, terminei o curso, convidaram-me para ficar a recibos verdes e acabei por entrar nos quadros em 2002. 

Gosto do serviço público e descobri grande parte da cidade através do trabalho: locais, edifícios, bairros, muitas pessoas, muitos eventos e algumas desgraças. Além das diversas tarefas que desempenhei ao longo do tempo, sempre trabalhei com cartografia e costumo impressionar os amigos porque conheço mais nomes de ruas que a maioria dos lisboetas, com os taxistas faço sempre sucesso!

Sei que tenho muita Lisboa para descobrir, há tantos sítios onde nunca fui. Como é possível viver tantos anos em Lisboa e nunca ter ido ao Planetário ou ao Museu do Traje? É, porque a azáfama do dia-a-dia leva-me a adiar. Mais uma vez por causa do trabalho, conheci melhor recentemente Alfama, Marvila e Santa Clara e gosto de descobrir as cidades dentro da cidade, as escadinhas, os pequenos recantos e pormenores, os contrastes, os lisboetas com hábitos diferentes e os resquícios de uma ruralidade que permanece e ainda bem. E claro, os restaurantes: existe prazer maior do que descobrir um bom sítio para comer?

Vivi vários anos em São Bento e adoro aquela zona. Mas, há pouco tempo e num olhar mais atento, reparei em como tudo mudou. O quarteirão transformou-se: o comércio tradicional das mercearias, pastelarias, lojas de móveis e têxteis-lar deu lugar a boulangeries, bistros, lounges, smoothies e noodles. Às vezes é estranho ver a cidade mudar assim.

O prédio onde vivo tem um quintal de uso partilhado, sempre usufrui dele e os tempos de confinamento mostraram-me de forma mais intensa a importância deste pequeno espaço: permite-me apanhar sol, mexer na terra, regar, semear, ver as plantas a crescer. Curiosamente, o trabalho conduziu-me primeiro a aprender e depois a ensinar munícipes sobre compostagem doméstica. Tenho um compostor no quintal e já consegui mobilizar alguns vizinhos a utilizá-lo. A cidade também é isso: o eterno apelo à terra.

Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, sob direcção de Filipe Folque: 1856-1858 (n.º 41). Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa
Lisboa em Nós de Luísa Coelho
Mini apresentaçãoLuísa Coelho nasceu em São Pedro do Sul em 1976 e é licenciada em Engenharia do Ambiente. Descreve-se como observadora, aficionada por Lisboa e pelo bom, bonito e barato. Gosta de passeios a pé e descobriu recentemente uma enorme paixão por gatos.
Um local inspiradorA Alameda Dom Afonso Henriques num fim-de-semana de sol, com muita gente diferente a usufruir do mesmo espaço
Uma visita imperdívelA Feira do Relógio – fora dos roteiros turísticos mas onde é possível sentir uma Lisboa real, diversa, aberta a todos e o encanto das bancas de legumes
Água na boca com…O Restaurante Escondidinho do Charquinho em Benfica porque combina boa comida, excelente atendimento e família
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