Novembro 25, 2020 getLISBON 0Comment

Eça de Queiroz é, indiscutivelmente, um dos mais relevantes escritores portugueses de todos os tempos. No dia em que faria 175 anos recordamo-lo, evocando a sua relação com Lisboa.

Este escritor, caracterizado pela originalidade, riquezas de estilo e linguagem, grande poder descritivo realista, assim como pela crítica social intemporal, tem a sua obra traduzida em cerca de 20 línguas.

É o autor de romances incontornáveis da nossa literatura como: O Crime do Padre Amaro; A Relíquia; A Ilustre Casa de Ramires; O Mandarim; A Cidade e as Serras…

Pertencente à corrente realista do séc. XIX é um dos intelectuais da famosa Geração de 70. Formado em Direito em Coimbra, trabalhou como jornalista e abraçou a carreira diplomática, tendo sido cônsul em Havana, Newcastle, Bristol e Paris.

Nascido na Póvoa de Varzim no dia 25 de Novembro de 1845 veio a falecer em Neuilly-sur-Seine, França, no dia 16 de Agosto de 1900.

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Eça de Queiroz e Lisboa

Praça do Rossio frente ao nº26, onde viveu Eça de Queiroz
Praça do Rossio

Eça de Queiroz não nasceu nem morreu em Lisboa, mas o seu nome está presente na toponímia da cidade e uma das suas mais belas esculturas é-lhe dedicada.

O genial escritor não nasceu nem morreu em Lisboa, mas por aqui viveu de forma intermitente e dizia sentir-se em casa numa instituição sediada no Chiado.

O diplomata português não nasceu nem morreu em Lisboa, mas aqui esteve sepultado 89 anos.

O intemporal pensador não nasceu nem morreu em Lisboa, mas quando por aqui passou frequentou locais que nos descreveu e num deles hoje é possível observar um curioso apontamento que lhe é dedicado…

O romancista não nasceu nem morreu em Lisboa, mas esta cidade tem uma presença fundamental na sua obra. 

É ainda em Lisboa que um grémio o tem como patrono.

Neste ano, em que  também passam 120 anos sobre o seu desaparecimento, temos ainda mais um motivo para o homenagear.

Evocações em Lisboa

Placas Toponímica e Evocativa

A Rua Eça de Queiroz foi instituída treze anos após a morte do escritor. Situa-se na zona da Praça Marquês de Pombal, uma discreta artéria que liga a Avenida Duque de Loulé à Rua Actor Tasso.

No nº26 do Rossio, por cima do Café Nicola, ao nível do 1º andar encontra-se uma placa onde se lê: “Neste prédio viveu e iniciou a sua vida literária o grande escritor EÇA DE QUEIROZ. Homenagem do Círculo Eça de Queiroz e da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses – (1866-1966)”

Na verdade Eça viveu algum tempo, a partir de 1866, em casa do seu pai no 4º andar deste edifício.

Monumento a Eça de Queiroz

Monumento a Eça de Queiroz: à esq. original em pedra jardins do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta; à dir. reprodução em bronze no Largo Barão de Quintela
Monumento a Eça de Queiroz: à esq. original em pedra jardins do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta; à dir. reprodução em bronze no Largo Barão de Quintela

Apenas três anos após o seu desaparecimento, foi inaugurado no Largo Barão de Quintela um monumento em sua homenagem, da autoria de Teixeira Lopes (1866-1942).

O escultor apresenta-nos um conjunto escultórico composto pela figura do escritor que ampara nos braços e fita nos olhos, a figura alegórica da Verdade. Uma mulher de braços abertos que enverga apenas um manto transparente que compõe mas não oculta o seu corpo nu.

Esta composição carregada de simbolismo baseia-se numa frase que ali se encontra inscrita retirada do seu romance A Relíquia: “Sobre a nudez forte da Verdade o manto diáphano da phantasia”.

Ao longo do tempo a magnífica escultura sofreu inúmeros actos de vandalismo. Por essa razão, em 2001, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu deslocar o original de pedra para os jardins do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, no Campo Grande, e colocar no seu lugar uma réplica em bronze.

Estátua de Eça de Queiroz na Biblioteca Nacional de Portugal

Estátuas de Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões e Eça de Queiroz na Biblioteca Nacional

Junto ao edifício da Biblioteca Nacional de Portugal, no Campo Grande, encontra-se uma estátua de Eça de Queiroz, em granito, da autoria de Álvaro de Brée datada de 1963 e inaugurada a 10 de Abril de 1969.

Esta faz parte de um conjunto de quatro estátuas de homens de Letras, a saber: Fernão Lopes, Gil Vicente e Camões.

Grémio Literário

Grémio Literário de Lisboa

Um dos lugares mais frequentados por Eça nesta cidade foi o Grémio Literário de Lisboa. Uma instituição de utilidade pública fundada em 1846, por carta régia de D. Maria II e D. Fernando II, que visa promover o convívio e a actividade intelectual entre pares, no campo das letras.

Encontra-se sediada desde 1875 no palacete do visconde de Loures na Rua Ivens, em pleno Chiado. Um magnífico imóvel romântico de cujas traseiras se alcança uma das melhores vistas da cidade e que possui um jardim a que o romancista chamava “a minha quinta com porta para o Chiado”.

Neste jardim, assim como na biblioteca, o escritor passava longos períodos lendo, consultando jornais e revistas francesas e, com certeza, observando tantos que terão servido de inspiração para a construção dos seus personagens.

Cemitério do Alto de São João

Eça de Queiroz morreu com apenas 55 anos em Agosto de 1900 em Neuilly-sur-Seine, então arredores de Paris. Em Setembro o seu corpo foi recebido em Lisboa com honras de Estado, tendo ficado no Cemitério do Alto de São João até 1989 quando foi trasladado para o jazigo de família em Santa Cruz do Douro, Baião.

Evocação num Café ao Príncipe Real

Interior da Pastelaria Cister
Interior da Pastelaria Cister

Na Rua da Escola Politécnica nº103 existe uma pastelaria fundada em 1838, a Confeitaria Portuguesa, a que todos chamavam Serafina. Desde a década de 70 do séc. XX este famoso café passou a Cister e é aqui que vamos encontrar uma curiosa evocação a esta personalidade.

Espalhadas pelo espaço encontramos várias imagens que remetem para o escritor. As de maior destaque encontram-se na parede do lado esquerdo da sala.

Trata-se de um medalhão de embutidos de mármores de diferentes tonalidades onde está representado o seu retrato. Ali pode ler-se numa inscrição: Eça de Queiroz / Pela Serafina, hoje Cister, passou grande parte dos seus dias.”

Ao lado encontra-se emoldurado um trabalho bordado em ponto de Arraiolos onde se observa a inconfundível figura de corpo inteiro do romancista que, sentado a uma mesa lê o jornal. 

Parece ser seguro afirmar que Eça de Queiroz frequentava este café diariamente pela manhã. Dali seguia pelo Jardim do Príncipe Real, mais abaixo observava a cidade do Jardim de São Pedro de Alcântara e então descia o Chiado até ao Rossio.

Círculo Eça de Queiroz

Círculo Eça de Queiroz no nº4 do Largo Rafael Bordalo Pinheiro
Círculo Eça de Queiroz

No nº4 do Largo Rafael Bordalo Pinheiro tem sede esta instituição, fundada em 1940, que se propõe contribuir para o enriquecimento do nível cultural da sociedade portuguesa, assim como para a divulgação da vida e obra do escritor, através da realização de conferências, exposições, concertos e outras manifestações de carácter cultural.

Lisboa, Personagem de Romances

Vista do Jardim de São Pedro de Alcântara ao anoitecer
Vista do Jardim de São Pedro de Alcântara ao anoitecer

Lisboa é palco de muitos dos romances de Eça. A cidade está presente, não só na sua obra maior Os Maias como em: A Tragédia da Rua das Flores; O Primo Basílio; ou A Capital.

São inúmeras as passagens onde refere o Chiado, o Bairro Alto, o Campo Santana, o Príncipe Real, o Aterro… ou zonas mais periféricas como Santa Apolónia, Penha de França, Benfica, Olivais…

Através das suas descrições ficamos a conhecer com rigor as ruas, os hotéis, as lojas, os cafés, os jardins, o casario, as vivências.

Contudo, a cidade não é apenas um ambiente cenográfico onde se desenrolam acções. Lisboa surge personificada, interveniente e em permanente diálogo com as restantes personagens que habitam os seus extraordinários romances.

Durante a cerimónia de inauguração do monumento de homenagem a Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, seu amigo e também escritor, salientou: “Não é um retrato literário do insigne escritor que me proponho traçar – o meu fim é unicamente fazer notar a Lisboa que Eça é, como romancista, o mais fundamental e genuinamente lisboeta de todos os escritores nacionais”.

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