Rafael Bordalo Pinheiro por Lisboa

Rafael Bordalo Pinheiro por Lisboa. Instalação patente no Museu Bordalo Pinheiro
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Em Rafael Bordalo Pinheiro por Lisboa, procuramos levar até si locais públicos, onde podem ser vistas intervenções originais deste extraordinário artista. Passaremos ainda por homenagens que lhe foram devidas e outras intervenções públicas inspiradas nas suas peças cerâmicas. Assim, desta vez, iremos ao encontro de Bordalo fora do museu que lhe é dedicado.

Bordalo Pinheiro e Lisboa

Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) nasceu, viveu e morreu em Lisboa. A cidade ficou marcada pela sua incontornável presença. A cervejaria Leão de Ouro, o restaurante Tavares Rico ou o Teatro São Carlos são apenas alguns exemplos de locais cuja história não teria sido a mesma se Bordalo não tivesse existido. O mesmo acontece com os lugares onde deixou trabalhos como os que referimos nesta nossa selecção.

Na sua variada obra artística, que se estende do desenho da caricatura ao design gráfico, da decoração de interiores à cerâmica, a cidade de Lisboa é uma presença constante. O seu apurado sentido crítico e humor não poupou instituições, monumentos, personagens típicas ou costumes.

Observar atentamente o seu trabalho é fazer uma viagem no tempo à Lisboa da viragem dos séc. XIX-XX e como é próprio dos artistas maiores, o seu legado consiste não apenas no seu espólio mas nas consequências e nas inspirações que dele advêm.

Faça uma visita guiada às zonas históricas de Lisboa e conheça locais imperdíveis desta magnífica cidade.

Bordalo Pinheiro por Lisboa: Intervenções Originais

Tabacaria Mónaco

Tabacaria Mónaco, fachada virada ao Rossio e antiga porta na Rua 1º de Dezembro
Tabacaria Mónaco, fachada virada ao Rossio e antiga porta na Rua 1º de Dezembro

A Tabacaria Mónaco, inaugurada em 1875, foi um estabelecimento que teve então um grande impacto na cidade de Lisboa. Situada no nº21 do Rossio, especializada em tabacos, a primeira a vender jornais e revistas estrangeiros, foi palco de tertúlia de intelectuais e, mais tarde, ali foi instalado o primeiro telefone público.

Em 1894 o espaço sofreu uma profunda remodelação, tomando então a forma que ainda hoje tem. O projecto, a cargo do arquitecto Rozendo Carvalheira, contou com a colaboração do escultor Pedro dos Reis, do pintor António Ramalho, o magnífico mobiliário em madeira do Brasil do risco de Frederico Augusto Ribeiro e os azulejos de Rafael Bordalo Pinheiro.

À época o espaço da tabacaria fazia ligação entre o Rossio e a Rua 1º de Dezembro pelo que tinha duas portas. É a envolver estas estreitas passagens que ainda hoje podemos observar azulejos de Bordalo. A porta da Rua 1º de Dezembro há muito que não pertence à tabacaria, mas os azulejos ali permanecem, testemunhando essa ligação. Infelizmente, uma parte encontra-se remontada invertida.

Nestas composições, no tradicional azul e branco mas com molduras amarelas que já indiciam novos tempos, o mordaz artista faz paródia aos clientes, ali representados como rãs e cegonhas… Estas representações prolongam-se no interior da tabacaria. Marcam ainda presença, os coloridos azulejos relevados de nenúfares e rãs que revestem uma fonte que então fornecia água de Sintra, Caneças e Moura. 

Quando o telefone foi instalado, foram também montados fictícios fios de telégrafo no interior da tabacaria como sinal de modernidade. Bordalo, com grande sentido de oportunidade, vai compor esta encenação, povoando os fios com mais de trinta das suas esvoaçantes andorinhas.

Um surpreendente espaço classificado com o distintivo Loja com História, que merece ser visitado.

Decoração Azulejar da Panificação Mecânica

Padrão de Espigas e Borboletas que pode ser visto na Panificação Mecânica de Campo de Ourique
Padrão de Espigas e Borboletas que pode ser visto na Panificação Mecânica de Campo de Ourique

O segundo local que lhe sugerimos para que vá ao encontro de Bordalo Pinheiro por Lisboa, localiza-se em Campo de Ourique. É aqui neste bairro que se desenvolveu no final do séc. XIX, à época um pouco afastado do centro da cidade, que vamos encontrar a Panificação Mecânica.

Esta antiga padaria, hoje pastelaria e também local de refeições rápidas, igualmente classificada Loja com História, situa-se num imóvel de interesse público, na esquina da Rua de Campo de Ourique com a Rua Silva Carvalho. 

Ali, encontramos uma decoração que mistura a linguagem da Arquitectura do Ferro, a Arte Nova e o gosto classicista. Um espaço eclético que mistura, de forma equilibrada e criativa, materiais diversos como o vidro, o ferro, o estuque, as madeiras e, claro, os azulejos relevados de Bordalo Pinheiro.

Desconhecemos o ano da sua realização mas talvez possamos sugerir 1902 quando a Companhia de Panificação Lisbonense que então ocupava o local, submeteu à Câmara Municipal de Lisboa um projecto para ocupação do logradouro com uma sala de fornos.

Actualmente a profusão de expositores, balcões e outros acessórios modernos, obrigam a um exercício de abstracção para nos concentrarmos na essência do espaço. Mesmo assim vale a pena a viagem!

Enquanto prova um delicioso croissant recheado, pode vaguear o olhar pelos magníficos azulejos e caminhar entre espigas, papoilas, andorinhas e borboletas.

Palácio do Beau-Séjour

Lavatório em cerâmica no Palácio do Beau-Séjour
Lavatório em cerâmica no Palácio do Beau-Séjour. Imagem gentilmente cedida pelo coleccionador Luís Bayó Veiga

O Palácio do Beau-Séjour, situado na Estrada de Benfica, foi mandado edificar em meados do séc. XIX pela viscondessa da Regaleira.

Um bonito palacete de estilo romântico, ao qual não falta o típico jardim marcado por lagos, alamedas de bancos e vegetação exótica. Foi classificado como monumento de interesse público e ali funciona, desde 1992, a sede do GEO – Gabinete de Estudos Olisiponenses da Câmara Municipal de Lisboa. É por isso, um espaço aberto que pode ser visitado.

Na década de 70 do séc. XIX, Rafael Bordalo Pinheiro participou na decoração deste edifício, assim como os seus irmãos Columbano e Maria Augusta e o decorador Francisco Vilaça.

A antiga sala de jantar reúne intervenções dos três irmãos. Destaque para as peças de Bordalo, azulejos relevados de nenúfares e rãs, e ainda, um magnífico candeeiro de tecto do qual pendem generosos cachos de uvas, parras e outros frutos em cerâmica colorida.

No vestíbulo desta sala encontra-se uma surpreendente peça de grandes dimensões. Trata-se de um lavatório com um grandioso alçado, profusamente decorado. Ali, coroado por três girassóis, desenvolve-se um mundo aquático povoado por crustáceos, peixes, enguias e rãs que envolvem dois medalhões em cujo centro repousam peças de caça.

Um mundo extraordinário que mistura o naturalismo e a fantasia a que Bordalo nos habituou.

Bordalo Pinheiro por Lisboa: Homenagens

Placa Toponímica do Largo Bordalo Pinheiro

Placa toponímica do Largo Rafael Bordalo Pinheiro, composta por placas cerâmicas recortadas por volutas, acantos e concheados coloridos que emolduram o nome Largo Raphael Bordallo Pinheiro.
Placa toponímica do Largo Rafael Bordalo Pinheiro

Rafael Bordalo Pinheiro viveu no 2º andar do nº29 do então Largo da Abegoaria, ao Chiado. Em 1915 este largo passou a ter o seu nome e esta homenagem estendeu-se ao modelo de placas toponímicas ali presentes.

Estas, são constituídas por peças cerâmicas aplicadas em placas de pedra, fixadas à parede por quatro cravos de cabeça em pirâmide quadrangular. Numa alusão directa ao relevante legado artístico como ceramista de Bordalo, as peças são recortadas por volutas, acantos e concheados coloridos que emolduram o nome Largo Raphael Bordallo Pinheiro.

Saiba mais sobre estas peças de equipamento urbano em Tipologia de Placas Toponímicas de Lisboa e Originais Placas Toponímicas em Lisboa.

Monumento de Homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro

Monumento a Rafael Bordalo Pinheiro visto do Museu que o homenageia
Monumento a Rafael Bordalo Pinheiro

Este monumento, inaugurado em 1921, é constituído por um plinto de pedra sobre o qual assenta um busto de bronze de Bordalo Pinheiro.

Trata-se, como vimos em Arte Pública do Jardim do Campo Grande, de uma obra da juventude de Raul Xavier (1894-1964), onde está ainda bem presente a influência do seu mestre, o escultor Costa Motta (Tio).

A decoração remete-nos para o universo de Bordalo, através da presença das representações da República, do Zé Povinho e dos gatos.

Encontra este monumento num local discreto do Jardim do Campo Grande, mesmo em frente ao dinâmico Museu Bordalo Pinheiro. Espaço cultural que periodicamente merece a sua visita, não só pelo seu valioso espólio mas também pela sua intensa programação.

Inspirações Públicas na Arte de Bordalo Pinheiro

Jardim Bordalo Pinheiro no Palácio Pimenta

Jardim Bordalo Pinheiro
Jardim Bordalo Pinheiro

Este fantástico jardim localizado no Palácio Pimenta, núcleo-sede do Museu de Lisboa, presta uma verdadeira homenagem ao trabalho cerâmico do genial artista plástico.

A ideia da concepção deste espaço deve-se a Catarina Portas, empresária e jornalista de Lisboa e a sua elaboração ficou a cargo da artista plástica Joana Vasconcelos.

O projecto de 2010, que contou com o apoio da CML, para além de um tributo a Bordalo, teve ainda como objectivo salvar da falência a empresa de cerâmica estabelecida pelo artista em Caldas da Rainha, no ano de 1884. 

Por todo o jardim, entre árvores e arbustos, no meio dos lagos, vai ser surpreendido por animais agigantados como: cobras, caranguejos, sapos, abelhas, lagostas entre muitos outros.

Saiba tudo em Jardim Bordalo Pinheiro, o Insólito e a Fantasia!

Revestimento Azulejar e Medalhão nas Passagens Pedonais do Campo Grande

Nas Passagens Pedonais do Campo Grande encontram-se azulejos relevados com o padrão dos gatos de Bordalo Pinheiro. É ainda possível observar, num dos pilares da passagem pedonal do lado Este, um medalhão cerâmico, à Della Robbia, com o perfil do artista a branco sobre um fundo azul celeste, envolto numa coroa de flores e frutos policromados.
Revestimento Azulejar e Medalhão nas Passagens Pedonais do Campo Grande

Na zona Norte do Jardim do Campo Grande existem duas passagens pedonais. Uma junto ao Museu de Lisboa e à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e outra em frente à Universidade Lusófona.

Em ambas encontram-se azulejos relevados, com o padrão dos gatos de Bordalo Pinheiro e um medalhão cerâmico, à Della Robbia, com o perfil do artista a branco sobre um fundo azul celeste, envolto numa coroa de flores e frutos policromados.

No Jardim Bordalo Pinheiro existem outros dois exemplares deste medalhão.

Gato Assanhado e Caracol na Av. Guerra Junqueiro

Gato Assanhado na Praça de Londres
Gato Assanhado na Praça de Londres

Na zona das Avenidas Novas, mais concretamente na Av. Guerra Junqueiro, junto à Praça de Londres encontram-se desde 2018 duas peças cerâmicas, réplicas em grandes dimensões de dois trabalhos de Bordalo Pinheiro.

Trata-se de Gato Assanhado, animal pelo qual o artista nutria particular afeição e um caracol gigante que partilha o espaço de um banco público, revestido a azulejos verdes lisos e outros relevados com nenúfares, rãs e flores.

Banco com Caracol e azulejos da Fábrica Bordalo Pinheiro
Banco com Caracol e azulejos da Fábrica Bordalo Pinheiro

Estas peças foram oferecidas pela Fábrica Bordalo Pinheiro à Câmara Municipal de Lisboa, concretamente à Junta de Freguesia do Areeiro e constituem a última sugestão de encontro com Bordalo Pinheiro por Lisboa que seleccionámos para si.

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